Um filme de drama chamado Vasco


  Janeiro de 2001. Os vascaínos comemoravam o título da Copa João Havelange, considerada o campeonato nacional de futebol de 2000. A vitória sobre o São Caetano que deu o tetracampeonato brasileiro ao Vasco apenas coroava a fase mais vencedora do time cruzmaltino. Campeão Carioca, Brasileiro, da Libertadores, da Mercosul, e contando com grandes jogadores como Romário, Euller, Luizão, Donizete, Juninhos Pernambucano e Paulista, Felipe, Evair, Edmundo, Hélton e Carlos Germano. Sem dúvida, era um timaço. Equipe que superava grandes escretes da própia história vascaína; o time de Dinamite dos anos 70, a esquadra de Vavá dos 60, o plantel de Ademir Menezes dos anos 40, enfim, o vascaíno não tinha como reclamar do futebol. Mas a grande fase dos anos 90 teve um fim ali, naquele jogo em São Januário no primeiro ano do século.
  O que veio depois foi frustante para o pessoal da Colina. Aos poucos, Eurico Miranda, que fez parte da diretoria campeã das Américas, agora comandava o clube de forma controversa e até ilegal, sendo o dirigente taxado de ”ladrão” e ”corrupto” por parte da opinião pública. Se houvesse uma resposta dentro de campo, com a continuidade de títulos e bons atletas em campo, ainda Eurico teria uma resposta, ainda que não justificasse sua polêmica gestão. Não houve, e nos gramados o Vasco decaiu. Perdeu três decisões de Estadual para o maior rival, o Flamengo. Conseguiu ganhar o Carioca de 2003, mas o elenco foi se mostrando cada vez mais fraco. O time não chegou em nenhuma decisão ou disputou um título importante até 2006, na Copa do Brasil. Perdeu para o Flamengo. O torcedor não se conformava. Ser derrotado tantas vezes pelo rival em finais, não conseguir chegar com força nas competições e não ver grandes mudanças de diretoria desanimava os cruzmaltinos. Depois daquela Copa do Brasil, no entanto, o que se viu foi que as coisas podiam piorar. E não deu outra.
O Rebaixamento
  Agora, definitivamente, o Vasco estava descendo a ladeira. Eurico se complicava na administração, o time estava jogando apenas para Romário fazer o milésimo gol da carreira. Os jogadores eram fracos ou veteranos prestes a parar. Em 2008, a situação era grave. Os destaques eram um Pedrinho sem ritmo, Edmundo parando, e Leandro Amaral se lesionando com frequência. Na diretoria, Eurico não podia mais continuar. Pesavam a incompetência, as fraudes e o jejum não só de títulos, mas de talento. Roberto Dinamite, maior ídolo do clube, assumiu a presidência e tentou no fim daquele ano com todos os problemas presentes salvar a equipe da Série B. Mas era tarde. A derrota para o Vitória na rodada final e o torcedor que tentou se jogar da cobertura de São Januário marcaram a página mais triste do Clube de Regatas Vasco da Gama.
  Ali começou a tão necessária reconstrução. Dinamite teve de montar um novo time, adotar uma maneira de gestão mais profissional e recolocar o Vasco entre os grandes do futebol brasileiro. Não era uma missão fácil, mas ao mesmo tempo é obrigação de todo time entre os considerados grandes que caem subir logo no primeiro ano de segunda divisão. E o Vasco cumpriu com o lhe era exigido e voltou o mais rápido que pôde á elite. Com o lema ” O Sentimento não pode parar” , o time foi aos poucos se reestruturando. Rodrigo Caetano na gerência do elenco se mostrou competente e, ,mesmo com a conhecida dificuldade financeira que o Vasco adquiriu há alguns anos, sabe montar um time pelo menos razoável. Tanto que o primeiro ano de volta á primeira divisão foi morno. Até chegou-se a questionar o trabalho de Dinamite, ainda mais no início desse ano, com o pior começo de Taça Guanabara da história. Mas a história começou a mudar na Taça Rio. 
O Retorno ao bom futebol
  No 2°turno carioca, o Vasco foi o melhor dos grandes e foi para a decisão com o Flamengo. Perdeu o título, mas não o rumo. O time que se formou é promissor, tem bons valores: Fernando Prass, Dedé, Diego Souza e Alecsandro. É uma equipe ainda em formação, com erros bobos de passe, e sem um padrão de jogo fixo, ou seja, com peças de reposição que mantenham a característica do time desfalcado. A considerar o fato de que o elenco precisa de reforços. Mas foi na raça que aquela noite de quarta marcou o retorno do Vasco á glória nacional.
   Se o Coritiba merecia mais? Talvez. O time paranaense teve um primeiro semestre excepcional, e tem um time qualificado e organizado. Ao time da Colina falta um pouco dos dois. Mas a final foi marcada pela disposição e a necessidade de vencer. Não é o Vasco um time brilhante, mas é eficiente. E isso já bastou para o time conquistar a Copa do Brasil. Difícil de explicar o diferencial desse time. Talvez não haja um fator tão decisivo, apenas um bom time jogando bem. Essa final ficará marcada por ser a mais emocionante decisão de Copa do Brasil dos últimos tempos. Alguns vão apontar que o futebol não é justo, outros que só qualidade não vence jogo. Todos estão certos, e tornam esse jogo marcante e complexo.
  Mas o fato é que, 10 anos depois, o Vasco da Gama voltou para as conquistas. Tudo bem, foi uma só, mas essa taça traz uma vaga para a Libertadores junto. O time vai se reforçar e, principalmente, vai recuperar o lugar que perdeu lá no início do século. Até Juninho Pernambucano voltou para participar dessa nova fase. Juninho e Felipe serão importantes, pois estavam no grupo campeão da Libertadores, e podem transmitir o espírito daquele time.
  E para você que acredita não ser tão dramática a história do Vasco, tente imaginar seu time sem ganhar títulos há 8 anos, e sem ganhar títulos nacionais de grande importância há 10 anos. Se você torce para um time vencedor na última década, deve estar rezando para que nada parecido aconteça. Já se o seu time vive algo parecido, aposto que o sentimento é ruim. Mas, que sirva para vocês torcedores: a fase sempre existe, mas não é eterna. E a você, torcedor do Clube de Regatas Vasco da Gama, felicidades: o seu time está voltando ás conquistas.
Paulo Semicek

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Publicado em 15 de junho de 2011, em Futebol Nacional. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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