Cassius Clay, Mohamed Ali ou gênio, chame como quiser


Por : Renan Araújo

Há 70 anos, neste mesmo dia 17 de janeiro, o boxe começou a ter a sua história escrita para o mundo. O boxeador Muhammad Ali completa hoje sete décadas e é considerado o melhor lutador da história, já foi escolhido até como esportista do século pela revista americana Sports Illustrated em 1999 “Personalidade do Século” pela BBC, foi nomeado o “Men­­sageiro da Paz”, pela ONU e possui fãs fiéis tanto por suas lutas quanto por seu comportamento fora dos ringues.

Muhammad Ali em 1972 na Irlanda (Getty Images)

Muhammad Ali em 1972 na Irlanda (Getty Images)

Seu nome verdadeiro era Cassius Marcellus Klay Jr. (o nome Muhammad Ali foi modificado após ele se converter ao islamismo). Ele nasceu 17 de janeiro de 1942 em Louisville, no Kentucky e começou no boxe aos 12 anos após ter uma bicicleta roubada. O policial que o auxiliou indicou o boxe para que o menino pudesse se defender. Com isso começou sua carreira brilhante no esporte.

Com 18 anos, ele já conquistou uma vaga na equipe olímpica americana para os Jogos de Roma em 1960. Ele quase desistiu de participar da competição por ter medo de voar de avião. Porém, ele venceu seu medo para conquistar a medalha de ouro após uma vitória sobre o polonês Zbigniew Pietrzkowski. Aos 22 anos já tinha 19 vitórias em 19 lutas, mas ainda faltava o reconhecimento mundial.

Em 1964, ele enfrentou o campeão mundial de pesos pesados Sonny Liston e ganhou por nocaute no sétimo assalto. Assim conquistou o título mundial na categoria. Em 1966, ele foi convidado para integrar o exército americano na Guerra do Vietnã, mas recusou. Devido a essa recusa, ele foi banido do esporte por três anos e meio. Nesse período sobreviveu de palestras que dava em faculdades.

O boxeador voltou em 1970, mas após uma série de 31 vitórias, ele perdeu o cinturão após ser derrotado por Joe Frazier. Porém, ele derrotou o adversário em uma revanche e recuperou o título após derrotar por nocaute Geroge Foreman, em uma das lutas mais célebres da história, em 1974. A luta aconteceu no Zaire e ele foi reconhecido como símbolo da África.

Ali se aposentou em 1979 como campeão mundial, mas voltou e perdeu duas lutas para Larry Holmes e Trevor Berbick até parar por definitivo.

Ali em luta contra Foreman em 1974 (Focus on Sport/Getty Images)

Ali em luta contra Foreman em 1974 (Focus on Sport/Getty Images)

Ele também foi personagem de momentos marcantes do esporte como no confronto com Ken Norton, em que lutou com o maxilar quebrado por 12 assaltos em 1973. Em 1996, nas Olimpíadas de Atlanta, conduziu a tocha olímpica e recebeu de volta sua medalha de ouro das Olimpíadas de 1960, que lhe foi tirada por questões políticas. E isso em meio a um jogo de basquete da equipe americana.

Em 1984, foi diagnosticado com o Mal de Parkinson e por conta disso criou o Centro de Parkinson Muhammad Ali, para ajudar pessoas no tratamento para a doença. Em 2010, ele começou a se submeter a um tratamento experimental com células-tronco contra a doença em Israel. A doença também o impediu de fazer grandes aparições públicas, uma de suas marcas. O Centro também ajuda em atividades de ativismo social e a preservar a carreira do lutador.

Ali foi um dos grandes ícones na luta contra o racismo. Além de ser considerado o lutador africano após a vitória contra George Foreman, ele visitou diversos países para divulgar seus ideais e se relacionava diretamente com líderes da mesma causa como Martin Luther King e Malcolm X. Seu poder político era tanto que foi capaz até mesmo de convencer o ditador iraquiano Saddam Hussein a libertar 14 reféns americanos em 1990 durante o confronto no país.

Ali luta contra Sonny Liston em 1964 em seu primeiro título mundial (Tony Triollo/Sports Illustrated/Getty Images)

Ali luta contra Sonny Liston em 1964 em seu primeiro título mundial (Tony Triollo/Sports Illustrated/Getty Images)

O americano, praticamente analfabeto e que utilizava uma linguagem própria, cheia de gírias, dava poucas entrevistas, mas era extremamente afiado no que dizia. Confira abaixo algumas de suas frases mais marcantes:

“Nenhum vietcongue me chamou de crioulo, porque eu lutaria contra ele?”, sobre a recusa em ir para a Guerra do Vietnã

“Por que eles me pediriam para colocar um uniforme e viajar dez mil milhas longe da minha casa para jogar bombas e balas em pessoas marrom enquanto os chamados negros de Louisville são tratados como cachorros?”, novamente sobre a guerra.

Um lutador capaz de “flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha” segundo ele mesmo

“Somos dois escravos em um ringue. Os senhores põem dois de seus velhos escravos negros para lutar enquanto eles apostam, ‘meu escravo vai machucar o seu’”, dizia se referindo ao racismo e às origens do boxe, em que escravos americanos lutavam entre si.

“Os Estados Unidos não têm futuro, Alá enviará um castigo divino aos Estados Unidos”, após a vitória contra George Foreman, em 1974.

“Eu odiava cada minuto dos treinos, mas dizia para mim mesmo: Não desista! Sofra agora e viva o resto de sua vida como um campeão.”

“As vezes eu tento ser modesto. Mas aí começam a me faltar argumentos.”

“A comédia é um jeito engraçado de dizer a verdade. Meu jeito de fazer piadas é contando a verdade. Esta é a piada mais engraçada do mundo.”

“Cassius Clay é um nome de escravo. Eu não o escolhi e não o quero. Eu sou Muhammad Ali, um nome livre – significa amado por Deus – e eu insisti que as pessoas o usem quando falarem para e sobre mim”
– Aposto que você se assusta até a morte só de olhar para o espelho. Seu urso feio! Você nunca lutou contra ninguém a não ser vagabundas e pessoas que não são nada. Você se proclama campeão mundial? É muito velho e lento para ser o campeão – novamente para Sonny Liston.

Para saber mais sobre o lutador:

Documentário “Quando éramos reis” sobre a luta contra George Foreman, em 1974, no Zaire

http://www.youtube.com/watch?v=IfUHYUpmTFs&feature=player_embedded

 Documentário Thrilla in Manila de 1996 sobre a terceira luta entre Ali e Joe Frazier em 1975:

 http://www.youtube.com/watch?v=c5zAbFIMK9M

Filme “Ali”de 2001 de Michael Mann com Will Smith no papel de Ali

Livro “A Luta”, de Norman Mailer de 2011 também sobre a luta contra George Foreman e todo o contexto histórico da época

Livro “O rei do mundo” de David Remnick de 2011, uma biografia com pleta sobre o ídolo do esporte

Confira também os 10 maiores combates do lutador:

 http://tvig.ig.com.br/esporte/lutas/reveja-os-10-maiores-combates-de-muhammad-ali-8a49800e343e2ae60134e8945e2e0e3e.html

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Publicado em 17 de janeiro de 2012, em Lutas. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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