Rivaldo ganhou o mundo, mais do que Romário e Zico


Paulo Semicek

Há uma matéria no globoesporte.com que me fez pensar alguns fatos curiosos do futebol. Um deles é a noção de craque que é criada para um determinado jogador. Quando dizer que um bom atleta é um craque? A partir de qual momento classificar um jogador entre os melhores da história? Difícil responder. E foi nesse ponto que a matéria causou reflexão sobre um certo jogador: Rivaldo.

Ele jogou duas Copas do Mundo; duas finais, uma taça. Melhor do mundo em 1999 segundo a FIFA e a revista France Football. Rodou o planeta jogando futebol. Agora, saia na rua e pergunte quem foi melhor, Ronaldo, Romário ou Rivaldo? O último dificilmente será mencionado. Nem os palmeirenses, que o viram campeão brasileiro dirão com total convicção que Rivaldo foi o melhor.

Sinceramente, também não acho que Rivaldo foi o melhor entre os três. Estufou menos redes que Romário, emocionou menos gente que Ronaldo. Mas o camisa 10 das Copas de 98 e 02 tem uma virtude, que ás vezes pode ser um defeito, mas de toda maneira faz parte da personalidade dele: nunca se viu como um mito do futebol.

Explico. Depois do vexame na final de 98, todo o ataque daquela Seleção entrou em declínio. Bebeto sentiu a idade, Edmundo se acomodou no Vasco, e Ronaldo teve a infelicidade de se lesionar. Mas Rivaldo seguiu encantando no Barcelona, e levou todas as premiações possíveis em 1999. Era um dos pilares do Brasil em 2002, e foi decisivo em todos os jogos, junto com Ronaldo. No entanto, ao invés de tentar se recuperar da má fase no Milan pós-Copa, voltou para o seu país, no Cruzeiro. Não era uma boa hora; o mercado brasileiro ainda engatinhava, e ele não rendeu o esperado. Partiu para o Olympiacos e AEK, os dois da Grécia.

Foi nesse momento que percebemos o quanto Rivaldo não sabe a importância que tem. Nada contra jogar na Grécia, e depois no Usbequistão, até porque é interessante levar um ídolo a esses países menores, alegra o povo. Mas qual jogador escolhe ser um rei de um lugar distante a tentar brilhar novamente nos melhores times? Rivaldo escolheu ser o astro maior no Usbequistão a ser parte de um grande time na Europa.

Mas não podemos esquecer o quanto ele foi importante para o futebol. Jogar com a camisa 10 em duas finais de Copa, vencer uma delas, isso não é para qualquer um. Romário não teve isso, Zico também não. Por isso, quando Rivaldo decidir parar de jogar, merece jogo de despedida, camisa comemorativa, uma entrevista coletiva e os aplausos de quem o viu dar passes que decidiram taças, bicicletas que marcaram época, e a certeza de que, no Brasil, na Europa ou em qualquer lugar do mundo, ele tem seu nome gravado na história. Onde cabe Ronaldo, Romário, Pelé, Garrincha, Zico e Ronaldinho, cabe Rivaldo.

Um pouco de Rivaldo no Barcelona:

E o craque na seleção:

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Publicado em 17 de janeiro de 2012, em Futebol Nacional. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. rivaldo é um jogador pouco reconhecido pelos proprios brasileiros.

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