Massacre no Egito: Política e rivalidade levadas ao extremo


Renan Araújo

Simplesmente um absurdo. Não há como definir o que aconteceu dentro de campo ontem após o jogo entre Al-Ahly e Al-Masry, que culminou com a morte de 79 pessoas e mais centenas de feridos. A situação reflete um cenário de rivalidade histórica em uma região conturbada pela violência e que assume características peculiares, já que pode também envolver diretamente a política com a briga entre os opositores e os favoráveis do ex-ditador egípcio Hosni Mubarak.

Dezenas de pessoas morreram na tragédia (Foto: Reuters)

Ainda não se sabe exatamente como começou toda a briga, já que amos os lados se acusam mutuamente de ter iniciado os atos violentos. O que se sabe é que as duas torcidas têm um revanchismo e uma rivalidade muito grande, o que ocasionou o surgimento de grandes grupos violentos que freqüentam normalmente os estádios. As brigas são extremamente violentas e que culminam em mortes. O Al-Ahly, especialmente, é o maior vencedor do país, detentor de títulos continentais e o time de maior torcida, e que acaba por ser de certa forma “invejado”no país.

Mas a grande motivação pode ter sido mesmo política. Alguns grupos de torcedores do Al-Ahly e do Zamelek (outro clube da capital Cairo) estiveram envolvidos nos confrontos que determinaram a queda do ex-ditador Hosni Mubarak e chegaram a protestar dentro dos estádios. Existe também as suspeitas de que forças do ex-ditador foram responsáveis pelo ocorrido e que culminaram na omissão e na ausência da polícia na proteção dos torcedores e jogadores após o fim do jogo.

O fato é que o futebol é um mero detalhe nessa história toda. Novamente a política entra em campo, se mistura ao esporte e impede a sua realização. Não tem como pensar no futebol de modo separado, de modo que o jogo e a extrema rivalidade entre os dois times serviram apenas como plano de fundo para um confronto que iria inevitavelmente ocorrer no país.

O esporte é o que mais sai perdendo com isso tudo. A Federação egípcia foi dissolvida, jogadores já anunciaram a sua aposentadoria, a FIFA estuda suspender o Egito de competições internacionais, enquanto alguns afirmam que o futebol local pode até acabar. E é impossível falar em mais uma tragédia sem condenar totalmente o surgimento de grupos organizados que levam o futebol ao extremo de levá-lo a sério a ponto de acabar em violência. É uma tristeza achar que o futebol nunca vai se livrar de episódios tão lamentáveis

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Publicado em 2 de fevereiro de 2012, em Futebol Nacional. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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