Palermo, o dono da bola e da trave


por Paulo Semicek

“Esse cara não é aquele que perdeu três pênaltis no mesmo jogo?”

“Aquele grandão lá do Boca? Prefiro o Keirrison.”

“Putz, já me ferrou na Libertadores.”

(Foto: Koji Watanabe/Reuters)

Se você perguntar quem é Martín Palermo para um brasileiro que acompanha futebol com regularidade, certamente ouvirá pelo menos uma das frases acima. Sim, ele perdeu três pênaltis em uma mesma partida, na Copa América de 99, quando a Argentina enfrentou o Colômbia. Ah, ele também já quebrou uma perna comemorando um gol – na sua época de Villareal – e quando ele resolve driblar e jogar bonito, geralmente não dá muito certo. No própio Boca Juniors, onde ele é considerado um mito, existiram caras mais habilidosos: Riquelme, Maradona, Tévez, entre outros. Mas ninguém ganha as traves de um estádio em uma homenagem sem ter feito história no futebol. Toque uma bola para Palermo dentro da área para ver o que acontece.

O jovem Martín Palermo (ou El Loco, como é chamado) começou no Estudiantes, e demorou quase um ano para marcar um gol como profissional. O rapaz era bom, mas ninguém o considerava uma promessa ( e olha que os argentinos procuravam uma nova joia, já que Maradona estava prestes a parar), o que quase o levou ao San Martín de Tucumán, mas problemas econômicos inviabilizaram o negócio. A partir dali, ele virou o homem-gol da equipe e até 1997, quando foi para o Boca, totalizou 36 gols em 90 jogos.

Como disse, ele foi para o Boca, quase na época que seu futuro companheiro Schelotto e o técnico Carlos Bianchi. Ali Palermo demonstrou o bom centroavante que era, pesado, raçudo, mas decisivo. Aquele time conquistou o Apertura de 98, o Clausura de 99, a Libertadores e o Mundial (não o da FIFA) de 2000. Nesse meio tempo se lesionou uma vez, e quando voltou, foi em uma mata-mata decisivo da Libertadores, contra o rival histórico, o River Plate. Para não perder o hábito fez um gol. Em 2001, encerrou sua primeira passagem no time xeneize, marcando 91 gols em 102 jogos, quase um gol por jogo, desempenho impressionante.

Assim, El Loco foi para o Villareal, onde foi mediano, marcando 18 gols em 70 jornadas. Quebrou a perna de forma bizarra (comemorando o gol, como já foi dito) e seguiu para o Bétis, onde jogou menos ainda ( 2 gols em 11 partidas), e logo depois partiu para o Alavés, onde foi igualmente pífio: 3 tentos em 14 jogos. Talvez seja esse o motivo de Palermo não ser considerado um grande jogador por alguns críticos: ter ido mal na Europa. E realmente, os melhores estão por lá. Mas, no que diz respeito á importância de um atleta para o clube, não é preciso jogar fora do seu país. Marcos, goleiro do Palmeiras, está aí para provar; pergunte para um palmeirense sobre a importância do arqueiro na história do clube. Embora tanto Marcos quanto Palermo não tenham essa referência europeia, suas participações nos clubes de coração valem muito mais do que o status de estrela que teriam no Velho Continente. E Palermo descobriria isso na sua volta ao Boca, em 2004.

A relação entre Palermo e o Boca foi mais forte do que em qualquer outro clube. (Foto: Yahoo Esportes)

Em seu retorno, Martín teve que se readaptar ao estilo latino de jogar, o que lhe custou a titularidade em alguns momentos. Mas com a chegada de Alfio Basile, ele recuperou seu faro de goleador, o que valeu para as  conquistas da Sulamericana de 2004 e a Libertadores de 2007. Como atacante de referência, fez muitos gols, servido por Riquelme, Palacios, Dátolo, entre outros. Embora estivesse com mais de 30 anos, seguia fazendo seu melhor.

Em 2009, fez um gol de cabeça quase do meio de campo, a 39 metros da meta, um recorde. Em 2010, tornou-se o maior artilheiro da história do Boca Juniors, marcando dois em uma goleada de 4 a 0 sobre o Arsenal de Sarandí, chegando á marca de 220 gols, ultrapassando Roberto Chero, com 218. Ainda em 2010, foi convocado por Maradona para a Copa do Mundo da África do Sul. Surpreendente, pois Palermo sempre foi menosprezado pelos técnicos anteriores. O ”fator Europa” pesou; Tévez, Batistuta e Crespo fizeram melhores campanhas no exterior, durante toda a carreira de Palermo. Considere também o episódio dos pênaltis, e alguma limitação para criar jogadas. Enfim , ele fez apenas sete jogos pela Argentina, e seu último gol foi justamente na Copa, contra a Grécia. Digamos que o caso de Martín seja parecido com o Rogério Ceni na Seleção Brasileira; são bons, mas não considerados bons o suficiente para jogar pelos seus países.

Mas, voltando ao Boca, em junho de 2011, contra o Gimnasia La Plata, Palermo se despediu dos gramados. Foram 227 gols pelo clube bocanero. Ganhou uma capa de ”superman”, faixas e gritos dos torcedores, as traves da Bombonera, como presente pelos seus mais de 300 gols na carreira. Claro que ele se emocionou. Merece as homenagens, e agora seu nome ficará marcado nos livros, na cabeça dos torcedores que tiveram o prazer de tê-lo em seu time, e é evidente, nos bons sites esportivos.

Confira alguns vídeos da carreira do atacante:

Sobre Jornaleiros do Esporte

Site sobre esportes dos alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Email : jornaleirosdoesporte@gmail.com Twitter : @Jesporte Facebook : http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100002390365816

Publicado em 9 de abril de 2012, em Especiais, Futebol Internacional e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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