Pinheirão completa cinco anos de abandono total e incertezas


por Renan Araújo

Nesse dia 30 de maio faz cinco anos que o Estádio Pinheirão fechou as portas de vez ao público. Desde então permanece em estado de abandono e se deteriorando cada vez mais com o tempo. No ano de 2007 oficiais da 18ª Vara Civil de Curitiba lacraram e interditaram portões e acessos ao estádio por conta de uma determinação judicial. Desde então, o estádio continua envolvido em um imbróglio que ainda está longe de terminar e deve deixar o Pinheirão, palco de grandes partidas, abandonado por muito tempo.

Pinheirão pode ir novamente à leilão em junho (Foto: Paulo Semicek/Jornaleiros)

Histórico do imbróglio

O local pertencente à Federação Paranaense de Futebol foi fechado em 2007 por conta da acumulação de diversas dívidas com o INSS, com o IPTU da Prefeitura de Curitiba e outros credores que podem ultrapassar R$50 milhões. O processo que determinou o fechamento do Pinheirão já se encaminhava desde 2002 por conta da falta de estrutura e segurança no local. Ainda em setembro de 2007 o estádio foi leiloado para o Grupo Tacla por R$11,2 milhões, mas por ser um valor abaixo do mercado, a FPF recorreu e conseguiu anular a venda.

Pinheirão em seus primeiros anos (Foto: Templo do futebol)

Quando o presidente da FPF, Hélio Cury, foi eleito, prometeu se desfazer do Pinheirão, já que a Federação não poderia administrar o local. Ainda em 2007 o estádio foi cogitado primeiramente para receber jogos da Copa (acabou perdendo a indicação para a Arena da Baixada) e depois para receber o Atlético durante a fase de obras da Arena da Baixada para a Copa do Mundo. A Federação estimava que a reforma total do estádio estivesse na casa de R$1 milhão, o que seria praticamente inviável. O valor do estádio foi avaliado em R$80 milhões.

Também cotado para virar shopping Center e ser cedido para a Prefeitura para a construção de um ginásio municipal, o estádio ganhou uma sobrevida com o interesse do Coritiba em abrigar um novo estádio no mesmo local. Primeiro foi em 2009, quando a empresa W/Torre mostrou interesse em uma parceria com o alviverde, mas acabou desistindo do negócio. Em 2011 o episódio ganhou novos contornos com o interesse da construtora OAS em realizar um acordo para construir um estádio para o Coritiba e um complexo imobiliário. Além disso, houve uma indefinição em relação às reformas na Arena da Baixada para a Copa e o local foi considerado como o plano B da cidade para sediar o torneio (a idéia foi abolida com a confirmação das reformas da Arena).

O Pinheirão em um de seus últimos jogos (Foto: Paraná Clube)

Em setembro de 2011, a Federação decidiu em assembléia geral entre os clubes do estado  decidiu que o valor do terreno estava em R$66 milhões e que seria leiloado em outubro. Porém, não houve compradores no leilão. O presidente Hélio Cury seguiu mantendo conversas com os investidores da OAS interessados no negócio, mas houve uma reviravolta e ele pagou parte das dívidas com o INSS acabou tirando os investidores do negócio, impedindo que eles pudessem comprar o local por uma quantia menor que a avaliada.

Neste ano, a polêmica retornou com a volta da discussão sobre a prefeitura reaver o terreno. Metade da área total é da prefeitura. A outra metade foi doada há 43 anos para a FPF que deveria ter construído uma arena com 120 mil pessoas. O não cumprimento dessa exigência acarretaria na devolução do terreno, o que nunca aconteceu. Com as dívidas o estádio foi penhorado aos credores. Porém, os vereadores pedem a revogação da lei que proíbe a penhora do estádio para que o local seja devolvido à prefeitura. Já a prefeitura quer que apenas parte da área seja desapropriada e que o restante seja comprado pela FPF, já que a revogação não seria possível.

Além disso, está marcado para os dias 14 e 28 de junho o leilão do Pinheirão, autorizado judicialmente, mas que deve ganhar a oposição da Federação e dos vereadores. A empresa que comprou a sede da FPF em leilão recente também pode estar interessada na compra do Pinheirão.

Situação atual

Pinheirão em estado de abandono (Foto: Paulo Semicek/Jornaleiros)

A situação atual do Pinheirão é extremamente precária. O gramado está cada vez mais alto e as arquibancadas não recebem a manutenção necessária. Há pichações nas paredes do estádio e muitas áreas parecem ter sido depredadas. Do lado de fora, lacres e trancas impedem qualquer acesso ao estádio, mas a pintura e as paredes já começam a descascar e os portões a enferrujar.

Na única entrada disponível, a dos camarotes, dois funcionários impedem a entrada de qualquer tipo de pessoa e fazem a “segurança” do local, mas, apesar disso não é realizada manutenção. Nos entornos do estádio não há ninguém e no período da noite é um cenário fértil para o consumo de drogas e qualquer tipo de depredação ao patrimônio.

Estádio não recebe manutenção e está totalmente abandonado (Foto: Paulo Semicek/Jornaleiros)

Na entrada do portão 3 funciona uma escolinha do Paraná em que é possível visualizar um pouco mais do estado do local onde ficavam as cadeiras cobertas. Pelos portões enferrujados e lacrados ainda é possível ver o cenário dentro do estádio. Um cenário triste e desolador para um palco tradicional do futebol que já recebeu grandes jogos do futebol paranaense, brasileiro e até internacional.

 História

O projeto da Federação de construir um grande estádio ganhou o apoio da prefeitura e se iniciou em 1969 com a anuência do presidente da Federação na época, José Milani. Após três anos faltaram recursos, a obra ficou paralisada e apenas em 1985, o estádio é finalizado. No dia 15 de junho desse ano as seleções do Paraná e de Santa Catarina realizam a partida inaugural do complexo poliesportivo, que ganha a forma atual apenas em 1989 com a construção do setor das sociais e passa a ter uma capacidade de 54 mil espectadores.

Maquete do Pinheirão original de 1966 (Foto: Reprodução)

Em 1986, o local recebe seu primeiro jogo internacional com o amistoso entre Brasil e Chile que terminou empatado em 1×1 e foi uma das últimas partidas antes da seleção embarcar para a Copa do México. Entre 1985 e 1992, o estádio vira a casa do Atlético-PR para receber os jogos. Depois, em 1999, vira a casa do Paraná Clube. O clube permanece até 2007 quando retorna para a Vila Capanema que é reformada.

Diversas decisões de Paranaense foram realizadas no local. O Atlético ganhou o título de 1998 sobre o Coritiba e o alviverde acabou com o jejum de títulos em 1999 ao levar o campeonato regional. Em1996 o Paraná levou o título contra o Coritiba e em 2006 o contra a ADAP. O tricolor também realizou a final da Copa Sul de 1999, mas acabou perdendo para o Grêmio. O resultado levou o Paraná à disputa da Copa Conmebol.

O estádio também foi palco da campanha do tricolor no Brasileiro de 2006 que colocou o time em quinto lugar e o classificou para a Copa Libertadores. O jogo decisivo, um empate em 0x0 contra o São Paulo aconteceu no Pinheirão. O recorde de público do Pinheirão aconteceu na final do Paranaense de 1998, com um público total de 44475 pagantes. O rubro-negro venceu por 2×1 e faturou o título.

Ronaldo comemora gol no Pinheirão (Foto: AP)

Mas o auge do estádio aconteceu mesmo no dia 19 de novembro de 2003. Na época a seleção brasileira recebeu o Uruguai em jogo válido pelas eliminatórias da Copa de 2006. Com casa cheia, as seleções protagonizaram um grande jogo que acabou empatado em 3×3, com dois gols de Ronaldo Fenômeno e um de Kaká para o Brasil, dois de Diego Forlan e um contra para o Uruguai. 

Sobre Jornaleiros do Esporte

Site sobre esportes dos alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Email : jornaleirosdoesporte@gmail.com Twitter : @Jesporte Facebook : http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100002390365816

Publicado em 30 de maio de 2012, em Futebol Nacional e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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