Projeto social utiliza vôlei como forma de inclusão social


por Renan Araújo e Lucas Vian

Praticar o esporte como uma maneira de inclusão social e de transmissão de valores. Essa é o principal objetivo do Instituto Compartilhar, criado em 2003, pelo atual técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, Bernardinho. O programa, que atende cerca de 3,5 mil crianças e adolescentes em quatro projetos esportivos no Brasil, já produziu grandes resultados e, tanto alunos como professores, se dizem gratificados com o trabalho realizado.

No Paraná o projeto foi criado primeiramente por meio do Núcleo de Iniciação do Voleibol do Projeto Esporte Cidadão em 1997 e desde 2005 é coordenado pelo Instituto Compartilhar em parceira com a empresa Unilever. São 14 locais em todo o estado e apenas em Curitiba cerca de 614 alunos praticam o voleibol.

Projeto atende 614 crianças em Curitiba (Foto: Lucas Vian/Jornaleiros)

O coordenador técnico-pedagógico do programa em Curitiba, Josmar Coelho, explica que o objetivo principal do programa é utilizar o esporte como uma ferramenta de educação. “O nosso principal objetivo é contribuir para a formação do cidadão. Ao mesmo tempo em que a gente desenvolve a parte esportiva nós transmitimos quatro valores ligados aos pilares: respeito, cooperação, responsabilidade e autonomia. Queremos contribuir para que eles sejam cidadãos com plenas noções de respeito, colaborar com o próximo e para que sejam autônomos com o que eles vão desenvolver no dia-a-dia”, afirma ele.

As crianças participantes vêm de diferentes situações sociais. Muitas delas são carentes e nunca aprenderam noções de esportes coletivos e valores. Por isso, os professores procuram respeitar as diferenças de cada um buscando minimizar as dificuldades de adaptação e de convivência.

“Nós temos um valor específico para cada categoria com que trabalhamos. Toda criança que entra em algum processo apresenta algum tipo de dificuldade. Elas têm uma dificuldade no começo mas como o voleibol é adaptável eles conseguem jogar de uma forma tranqüila. Nós conseguimos diminuir essa dificuldade porque o nosso objetivo é o aprendizado de acordo com a faixa etária”, explica o professor do projeto há 14 anos, Alexandro Martins.

O objetivo é ensinar valores às crianças por meio do esporte (Foto: Lucas Vian/Jornaleiros)

Os alunos de 9 a 15 anos são divididos por categorias de acordo com a sua idade. Entre 9 e 10 anos eles jogam em um mini campo com dois jogadores, as de 11 e 12 em uma quadra com 3 jogadores, as de 13 anos com quatro atletas e com 14 anos em uma quadra com seis jogadores. As aulas são divididas entre o aquecimento, o ensino de fundamentos e o jogo em si. Os treinos são realizados no Campus Paraná Esporte e no Ginásio da Universidade Tuiuti entre segunda e quinta-feira e coordenados por profissionais e acadêmicos de educação física, alguns deles ex-alunos.

A aluna Juliana Rigon, de 12 anos, começou a participar neste ano do projeto e afirma que já evoluiu muito. “O projeto já me ajudou a melhorar muito, hoje eu tenho uma base melhor de como funciona o vôlei, estou melhorando cada vez mais e espero me tornar uma jogadora profissional”, relata. Já Victória Gomes, 12 anos, explica os benefícios que o projeto já trouxe a ela. “As aulas me ajudaram a melhorar a saúde e a gente também aprende a respeitar os colegas”, diz.

Esporte profissional

O projeto já foi a base para diversos atletas profissionais (Foto: Lucas Vian/Jornaleiros)

Ao sair dos projetos muitos alunos possuem o interesse de continuar no esporte e se encaminham para clubes da cidade e viram até mesmo jogadores profissionais. Esse é o caso das atletas Suellen do Banana Boat/Praia Clube (MG), Suelle e Roberta da equipe Univelever (RJ) e dos jogadores Henrique e Elder do BMG/São Bernardo do Campo (SP). Embora, muitos atletas se destaquem os professores do projeto dizem que formar atletas profissionais não é o mais importante.

“Fazer com que eles sigam uma carreira não é o objetivo, mas é um processo natural. Aqueles que tem uma certa facilidade se encaminham para os clubes da cidade e se tornam jogadores. Pela qualidade da aula com profissionais capacitados vão haver aqueles que têm mais facilidade que vão se desenvolver e se tornar jogadores e aqueles que vão apenas aprender a jogar vôlei”, afirma Josmar. “Não é uma conseqüência do nosso trabalho, mas a gente auxilia nesse processo”, finaliza Alexandro.

Sobre Jornaleiros do Esporte

Site sobre esportes dos alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Email : jornaleirosdoesporte@gmail.com Twitter : @Jesporte Facebook : http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100002390365816

Publicado em 12 de junho de 2012, em Especiais, Vôlei e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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