Entrevista com Maikon Bonani, kicker brasileiro do Titans


por Leonardo Siqueira

Em entrevista ao Jornaleiros do Esporte, o jogador de futebol americano Maikon Bonani, recém contratado pelo Tennessee Titans, fala sobre sua carreira, NFL e como é ser brasileiro em um ambiente predominantemente americano.

Bonani após partida pelo USF Bulls. (Foto: Reprodução/Facebook)

Quando se mudou de Matão, no interior de São Paulo, para os Estados Unidos, Maikon Bonani tinha apenas 11 anos e só pensava em conhecer a Disney. O menino cresceu e hoje realiza o sonho de vários brasileiros que são apaixonados por futebol americano: Jogar na NFL. Com 24 anos, Bonani é o primeiro brasileiro nato a ser contratado (como Free Agent não draftado) por um time da principal liga do mundo. Para o Jornaleiros, ele conta um pouco de como foi a adaptação ao novo país, como entrou no esporte e o que espera de sua carreira. Confira:

Quando você teve que se mudar com seu pai para o EUA, o que passou pela sua cabeça?

Eu somente tinha 11 ou 12 anos na época, então tinha sentimentos bons e ruins. Fiquei contente porque sabia que iria conhecer lugares bem interessantes, como a Disney e tal, mas também fiquei meio triste porque sabia que tinha que deixar avos, tios, e primas para trás. Mas como família, decidimos que essa mudança seria boa para a família e fomos para frente. Hoje estamos gratos com todas as bênçãos que Deus no deu.

Quais tipos de problemas você teve que enfrentar para se habituar ao novo país?

Sem duvida aprender a língua foi bem complicado. Eu saí do Brasil sem saber fala um A de inglês. Somente sabia falar que não falava inglês [risos]. Depois de alguns meses, a língua foi ficando melhor e comecei a fazer amizades, e depois tudo ficou normal.

Você jogou “soccer” por lá também. Como foi que começou a praticar o Futebol Americano?

Sempre joguei “soccer”, desde criança. Quando cheguei aqui, continuei jogando em várias ligas competitivas de “soccer” juvenil. Ate me dei muito bem como goleiro, meio campo e atacante. Foi por causa do “soccer” na High School, que comecei a jogar futebol americano. Os treinadores do futebol americano perceberam que eu chutava forte e pediram para eu tentar chutar a bola oval. Depois fui para um treino de futebol americano, chutei uma bola, acertei, e entrei no time da High School. Depois, joguei três anos de High School e recebi uma bolsa para jogar na USF. Depois tive minha carreira na faculdade, e hoje, Graças a Deus, estou aqui em Nashville, TN.

Em 2007, quando jogava pela Lake Wales High School, você acertou um chute de 55 jardas. Isso, com certeza, foi um dos fatores que fizeram o periódico Lakeland Ledger nomea-lo como atleta masculino do ano. A partir desse ano você já pensava em se tornar profissional?

Sem duvidas, esse foi um momento muito marcante na minha historia de kicker. Foi um grande chute para um moleque novo como eu era na época. Depois desse chute e vários outros chutes, pessoas e treinadores começaram a falar que eu tinha chance de ser um bom jogador no college, e depois enquanto jogando pela USF, eu comecei a realmente a sonhar a ser um profissional na NFL.

Em 2008, você entrou para USF [University of South Florida] para jogar pelo time de USF Bulls. Como a Universidade não tem muito nome e, por isso, não tem grandes jogadores, o kicker acaba sendo muito cobrado, geralmente batendo vários field goals. Qual foi a sensação de saber que estava ocupando uma das posições mais importantes do time?

Foi uma oportunidade única, porque joguei como calouro. E graças a Deus, eu tive uma boa temporada. E uma boa temporada se tornou em uma boa carreira na escola. Eu sempre gostei da pressão de ser kicker, e saber que praticamente todas a fazer que eu entrava em campo, tinha pontos para ser ganhos. Esse tipo de pressão faz a pessoa se focar ainda mais, e eu gostava muito disso.

Bonani (dir.) atuando pelo Bulls. (Foto: Reprodução/Facebook)

Em 2009, você perdeu a temporada inteira por conta de uma contusão. Qual foi essa lesão? Qual foi o impacto dela na sua vida e na sua carreira?

O acidente que sofri fez com que eu fraturasse a minha T-12. Uma vértebra torácica. Tive que perder a temporada inteira, eu fiquei um mês de cama, três meses usando um colete especial para a espinha e depois muitas seções e horas de fisioterapia. Eu sempre sabia que Deus tinha um motivo para mim, e minha lesão foi apenas uma lição de vida. Eu fiquei chateado por não poder participar da temporada de 2009, mas sabia que iria voltar com tudo em 2010. A lesão serviu como motivação para minha carreira.

Pelos Bulls, você estabeleceu alguns recordes importantes, como o melhor aproveitamento de field goals da história do time [81% em 2010] e anotar 18 pontos sobre o time de Syracuse Orange [em 2012]. Você acha que, com esses recordes na bagagem, você pode conquistar a vaga de titular do veterano Rob Bironas, no Titans?

Eu tenho confiança em mim mesmo. Isso é algo que todo kicker tem. O Rob Bironas é um veterano na NFL. O cara é um dos melhores kickers da historia. Eu o respeito muito, mas não o temo. Eu irei treinar muito, muito mesmo para fazer com que os treinadores tenham uma decisão difícil para fazer quando começar a temporada.

Outros dois jogadores brasileiros já foram registrados como jogadores na Liga, Tim Mazzetti [kicker do Atlanta Falcons de 78 a 80] e Damian Vaughn [tight end que atuou pelo Cincinnati Bengals e Tampa Bay Buccaneers de 98 a 2002]. Porém, nenhum deles é realmente brasileiro [Mazzeti declarou em entrevista que é norte americano e Vaughn nasceu no Alaska, mesmo que tenha cidadania brasileira]. No atual momento em que o esporte se mostra tão forte no Brasil, qual o peso de ser o primeiro brasileiro a jogar na NFL?

Eu primeiramente vejo isso como uma honra, eu realmente espero jogar na NFL como o primeiro brasileiro. Eu amo minha Pátria e tenho muito a representar aqui na NFL. Meu sonho é jogar muitos anos na NFL, e poder ajudar com que o esporte cresça no Brasil, e mostrar ao mundo que os brasileiros também têm a capacidade de jogar o esporte no nível mais alto possível.

Acredito que por ter morado tanto tempo no EUA você tenha algum time da sua preferência. Você se importa em divulgar?

Eu realmente nunca fui fanático por nenhum time. Sempre gostei de assistir os jogos e curtir vários times diferentes. No momento sou Titans no coração.

Anúncios

Sobre Jornaleiros do Esporte

Site sobre esportes dos alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Email : jornaleirosdoesporte@gmail.com Twitter : @Jesporte Facebook : http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100002390365816

Publicado em 13 de maio de 2013, em NFL e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: