Opinião: seis questões esclarecidas do Campeonato Paranaense


por Paulo Semicek

O Campeonato Paranaense 2013 acabou no último domingo (12), com o Coritiba conquistando o tetracampeonato, algo que não acontecia desde os anos 70. O triunfo foi conquistado em cima do rival Atlético, que com a equipe sub-23, se viu como vice-campeão pela quarta vez consecutiva.  O Campeão do Interior foi o Londrina, que após ter a melhor classificação geral (somados os dois turnos), venceu o também bom time do Operário. Para o Paraná Clube, ficou outra vez a decepção de não brigar forte pelo título.

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Esses são os principais fatos que podemos extrair do campeonato. No entanto, eles levam a algumas conclusões, questões que, se estavam em dúvidas no começo do torneio, foram esclarecidas nesse final. Vou enumerar aqui esses pontos, esperando que o que está bom seja mantido e melhorado, e o que está ruim passe por uma mudança de pensamentos. Vamos aos fatos:

1) O tetra coxa e a justiça feita por Alex

Alex voltou ao Coritiba no final de 2012 como o “ídolo que retorna à sua origem”. O meia surgiu para o futebol no Alto da Glória, era torcedor antes de ser jogador, e explodiu para o mundo em uma época de vacas magras para os coxas-brancas. Entre a sua saída nos anos 90 e seu retorno, Alex se tornou um dos melhores meias-armadores da sua época, principalmente em Palmeiras e Cruzeiro, e depois virando ídolo máximo no turco Fenerbahce. Injustiça não ter ido ao menos para uma Copa do Mundo.

Mas faltava a Alex um título pelo Coritiba. Um Paranaense que fosse, para corrigir a injustiça de 18 anos, de idolatrar um craque que nunca conquistou uma taça pelo clube. E no momento que o Coritiba, nem tão favorito como se esperava, precisou do camisa 10, ele fez sua parte. Artilheiro com 15 gols, craque do campeonato, decidiu o primeiro turno com um gol, decidiu a final com mais dois. Campeão, finalmente. É apenas um estadual, tudo bem, mas é uma taça levantada e comemorada por uma torcida. Um título para a galeria de troféus.

2) O sub-23 que mostrou a realidade do certame

A diretoria do Atlético não considerou o Campeonato Paranaense. Alegou que, pelo valor oferecido pela TV e a extensão do campeonato, não valeria a pena colocar um time principal para jogar. Contratando um técnico próprio para o sub-23, os garotos foram para o estadual. Começaram mal, sentindo a pressão da torcida, ainda estranhando o tal planejamento. Tanto que o primeiro turno foi apenas mediano.

Mas foi no momento mais crítico que o sub-23 aprendeu de vez a jogar profissionalmente. Primeiro com uma entrega e dedicação dentro de campo que superou os fracos (em relação ao nível do Brasileirão da Série A) times do interior. Depois, mostrando um padrão tático bem resolvido, o sub-23 provou que um time, ainda que com jogadores já rodados no profissional, claramente reserva, pode se dar bem no campeonato estadual. O sub-23 tem o seu mérito como equipe, e diante do nível do campeonato, desempenhou um papel que não era imaginado no início do torneio.

E por fim, a revelação de jogadores: Hernani, Douglas Coutinho, Crislan, entre outros. Agora, o time principal vai precisar mostrar a mesma entrega e um desempenho melhor em suas competições do que  o sub-23 fez no estadual. É o que a torcida espera.

3) Londrina, o melhor do interior

O LEC foi o melhor time na classificação geral. Por causa do regulamento (assinado pelo próprio Londrina, inclusive), a equipe não disputou o título máximo do estadual. Fica o consolo de ganhar a taça do interior, mas também o legado de ser uma potencial “quarta força nacional do Paraná”. Explico: a parceria com o empresário Sérgio Mallucelli proporciona estrutura de treinos, pagamentos em dia, patrocínios satisfatórios e uma base formada. Com isso, jogadores de maior renome se sentem confortáveis em jogar pelo Londrina, e diante de adversários do interior menos estruturados, o clube sai na frente como uma nova força, a melhor fora os times da capital.

Foi com esse pensamento que jogadores mais rodados, como Neílson, Celsinho e Germano, vieram para o Tubarão. Somaram-se a atletas com passagens por Curitiba (Dirceu e Wendell Borges) e algumas boas surpresas (Diogo Roque, Bruno, Wéverton e Maicon), e um técnico com continuidade no clube (Cláudio Tencati). Se o Tubarão mantiver metade desse time e conseguir alguns bons reforços, tem potencial (e uma grande torcida para incentivar) para ir longe na Série D.

4) O interior que não muda

Os outros times do interior não tiveram a mesma sorte do Londrina. O Cianorte não manteve a equipe boa do ano passado e quase foi rebaixado. O Arapongas, com desempenho parecido em 2012. conseguiu há pouco empresários capazes de evitar o fechamento do clube. O J. Mallucelli largou o nome “Corinthians Paranaense”, e fez uma campanha até melhor. Potita foi uma boa revelação do Jotinha, mas ainda é difícil o clube-empresa deixar de ser apenas uma sombra para os grandes curitibanos.

O Operário, fora o Londrina, é o mais estruturado. Tem tradição, apoio dos empresários locais e bons nomes esse ano (Rone Dias e Paulo Sérgio são exemplos), mas faltou mais regularidade em 2013. Tem potencial para repetir e até melhorar esse desempenho.

5) Paraná Clube, a mesma dúvida

Na sua volta à primeira divisão, o Tricolor fez quase o mesmo que fazia antes do rebaixamento: ensaiar boas campanhas, mas nunca engrenar uma de fato. Mesmo com bons valores (Lúcio Flávio, Alex Alves, Anderson e vários garotos da base), parece que sempre o Paraná está formando um time. Toninho Cecílio pagou com o emprego essa falta de um time “pronto”. Caberá ao novato Dado Cavalcanti a responsabilidade de, com mais reforços chegando, surpreender na Série B deste ano.

6)Um campeonato que precisa mudar

Criticar a fórmula de disputa do Paranaense não é nenhuma novidade. Quem não se lembra da bizarrice dos supermandos de 2009 e 2010? Embora o campeonato tenha melhorado a partir de 2011, com a fórmula atual dos dois turnos (os campões de cada turno decidem o título em dois jogos), ainda há muito para se fazer com relação à competitividade do torneio.

Primeiro vem a situação estranha do Londrina; somados os turnos, o Tubarão tem a melhor classificação geral. Ou seja, o time mais regular, embora não tenha conquistado nenhum turno, não pode decidir o título principal. Outro fator a se pensar é o título de turno. O Coritiba conquistou o primeiro, e fez uma campanha abaixo do esperado no segundo. O contrário aconteceu com o Atlético; ruim no primeiro, campeão no segundo. Se tivesse apenas um turno, cada rodada teria mais emoção, uma verdadeira disputa. Desperdiçar 11 datas por ser campeão, no caso do Coritiba, é algo sem sentido.

Duas soluções poderiam melhorar a competitividade do campeonato: uma carioca e a outra catarinense. A primeira seria a divisão da tabela em grupos, com semifinal e final em cada turno, e os campeões de turno decidem em dois jogos, igual o Campeonato Carioca. A segunda opção é o que faz o Campeonato Catarinense; os dois campeões de turno se classificam para uma semifinal, com os outros dois melhores na classificação geral. Daí formam-se semifinais e final.

De toda a forma, esse Paranaense longo (24 datas, quase 5 meses de disputa), cansativo e pouco competitivo precisa mudar. Torcida, telespectadores, dirigentes, empresários e jogadores certamente ficariam mais felizes com uma reformulação.

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Publicado em 13 de maio de 2013, em Colunas, Especiais, Futebol Nacional e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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