A fé (da religião e do futebol) que lotou o Couto Pereira


por Paulo Semicek

O Estádio Major Antônio Couto Pereira atualmente é a praça esportiva com maior capacidade do Estado do Paraná. Com capacidade para cerca de 37 mil pessoas, o palco do Alto da Glória já recebeu grandes momentos do futebol no seu gramado, principalmente do seu dono, o Coritiba. Mas, na década de 1980, colocar 37 mil pessoas no Couto Pereira não era sinônimo de estádio lotado. E quem viveu a realidade do estádio entre 1980 e 1983 presenciou dois eventos em que não caberia nem uma agulha nas arquibancadas.

No começo dos anos 80, o Couto Pereira viu sua capacidade transbordar (Foto: www.coritibajogoshistoricos.com.br)

No começo dos anos 80, o Couto Pereira viu sua capacidade transbordar (Foto: CoritibaJogosHistoricos.com.br)

Papa polonês em uma cidade de polacos

O primeiro deles aconteceu no dia 5 de julho de 1980. O Papa João Paulo II, o “João de Deus”, estava visitando o Brasil naquele ano. Conhecido por ser um pontíficie empenhado em levar a mensagem da Igreja Católica a fiéis em todos os cantos do mundo, o Papa passou por várias cidades do país: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Aparecida do Norte (SP), Manaus, Belém do Pará, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza e, é claro, Curitiba.

E naquele dia, 5 de julho, uma gigantesca missa foi realizada no gramado do Couto Pereira. Curitiba tem uma identificação especial com João de Deus; a cidade teve forte colonização polonesa, e aquele Papa era justamente…um polonês! E aquela missa a céu aberto quase levou o estádio abaixo. Os jornais da época calcularam o público entre 65  e 70 mil pessoas presentes no local. A falta de um dado mais preciso impede que se saiba o público exato que o Papa levou ao Couto Pereira, o que torna possível que este seja o maior público do estádio em toda a sua história.

"João de Deus" em sua visita ao estádio (Foto: www.coritibajogoshistoricos.com.br)

“João de Deus” em sua visita ao estádio (Foto: http://www.coritibajogoshistoricos.com.br)

A contradição do futebol

É curioso que, no estádio do Coritiba, o maior público registrado seja do rival, o Atlético Paranaense. Por, na época, o Estádio Joaquim Américo não ter uma grande capacidade, grandes jogos dos times curitibanos eram mandados no Alto da Glória. Naquele ano, 1983, o Atlético fazia uma grande campanha no Brasileirão. Antes do título nacional de 2001, aquele grupo foi o mais bem-sucedido do Furacão em nível nacional. Roberto Costa (goleiro), Nivaldo (meia) e a famosa dupla de ataque Washington e Assis (que ganharam o Brasileirão do ano seguinte pelo Fluminense) eram os grandes nomes do elenco, que ainda levou o bicampeonato paranaense (82/83).

Atlético-PR venceu o Flamengo de Zico, com 67 mil pessoas assistindo (Foto: Arquivo/Atlético-PR)

Atlético-PR venceu o Flamengo de Zico, com 67 mil pessoas assistindo (Foto: Arquivo/Atlético-PR)

Com esse grupo que o Atlético enfrentou o Flamengo naquelas semifinais. Lembrando que o Mengão dessa época era a sensação do futebol brasileiro, chegando ao título mundial em 1981. Zico, Adílio, Júnior, Leandro e o goleiro paranaense Raul Plassmann faziam parte do adversário do Furacão.

No jogo de ida, no Maracanã, 3 a 0 Flamengo. A missão do Atlético era muito difícil, mas ainda assim o torcedor foi ao Couto Pereira. Além da própria torcida local, flamenguistas que moravam em Curitiba também foram ao estádio. O resultado disso foi impressionante: 67.391 torcedores. Maior público do futebol paranaense em toda a história. O Atlético venceu por 2 a 0, todos os gols do centroavante Washington. Não foi o suficiente para o Furacão; o Flamengo se classificou e, contra o Santos na final, foi novamente campeão brasileiro.

Hoje em dia, não é mais possível levar 67 mil torcedores a qualquer estádio paranaense. Até em outros grandes estádios brasileiros hoje é difícil levar esse público (Maracanã, Morumbi e Mineirão talvez sejam os únicos). Mas, para quem viveu tanto a visita do Papa quanto o jogo do Atlético, é impossível esquecer um estádio lotado a esse ponto. Sem dúvida, só a fé, a do futebol e a da religião, tem o poder de levar milhares de pessoas apenas para fazer uma coisa: idolatrar quem está no gramado.

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Publicado em 15 de maio de 2013, em Especiais e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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