De Dortmund até Wembley: O caminho do Borussia na Champions – Análise Tática


por Flávio Darin

No último capítulo da série que conta o caminho do Borussia na edição 12/13 da UCL, o Jornaleiros do Esporte tenta mostrar o que os aurinegros fizeram para vencer cada jogo dentro da competição.

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“A melhor defesa é o ataque”, o famoso clichê parece ser o segredo do time de Jurgen Klopp. Dos 4 semifinalistas da Champions (Borussia Dortmund, Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona) o Borussia era o único time que tinha menos de 50% de posse de bola, somando os jogos da primeira fase, oitavas e quartas de final. O Borussia não fica com a bola, mas isso não significa que o time não a queira. 

O Borussia tem por característica a marcação, que fica longe de ser passiva, e é pra lá de agressiva. Outra característica do time de Jurgen Klopp é a flexibilidade e a versatilidade tanto de seus jogadores, quanto de suas variadas estratégias para vencer um jogo de futebol. 


Para clarear e exemplificar tudo o que foi dito a cima, escolhemos dois jogos do Borussia contra o Real Madrid. Um pela fase de grupos, e outro pela semifinal da UCL.

Marcação no campo do adversário:

Nesta Imagem podemos ver a marcação do Dortmund por pressão na saída de bola do Real Madrid.

Primeiro, Jurgen Klopp dá a ordem para que seus jogadores aguardem a definição do lado para onde a bola irá. Uma vez que a bola sai do goleiro, ou mesmo de um zagueiro para o lado, direito ou esquerdo do campo, os jogadores de frente saem em disparada para marcar a saída de bola, chamada de “caixote”.

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Aqui, o passe foi para o lado esquerdo, com o volante improvisado na lateral Essien. Logo, Grosskreutz, aperta o ganês, fechando principalmente o corredor, que seria a principal válvula de escape. Mario Gotze fecha o meio, evitando que Ozil (não aparece na imagem) ou Cristiano Ronaldo (marcado por Bender) apareçam naquele espaço. A função que Gotze executa  é primordial no esquema de marcação do Borussia, pois se o passe entrar naquele espaço, toda a primeira linha de marcação do time alemão (composta por Lewandowski, Reus e o próprio Gotze) será quebrada, e o Real Madrid criaria uma situação de superioridade numérica no seu ataque. Marco Reus aparece na parte de cima da imagem, e tem como obrigação cobrir uma possível virada de jogo de Essien. Como se trata de uma bola “lenta” que demoraria cerca de 3 segundos para chegar ao outro lado, Reus então teria facilidade para interceptar o passe, ou dificultar o domínio do adversário. Já Bender e Piszczek executam uma função de cobertura e encurtamento de espaço, e assim anulando Cristiano Ronaldo e Di Maria, respectivamente.

Um outro exemplo da eficiência e da agressividade da marcação amarela foi no jogo da ida pela semifinal da UCL.

Quando Higuain recebe o passe, nada mais, nada menos do que 3 jogadores do Borussia cercam o atacante argentino e fazem mais do que uma sobra de marcação. Vale lembrar que o Borussia possui 5 dos 6 jogadores que mais correram nesta Champions League, em distância percorrida. O lateral Marcel Schmelzer lidera a lista de estatística, com mais de 13 Km percorridos em 12 jogos na competição. Comprovando a entrega dos jogadores, a aplicação à proposta de jogo, e principalmente o ótimo preparo físico do Borussia Dortmund.

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Na sequencia do lance Gundogan acaba roubando a bola e conectando o contra-ataque, principal arma do time. Mas repare que a jogada é quase que suicida. Se Higuain consegue passar pelos marcadores, ou até mesmo conseguisse dar o passe, ou fazer a bola chegar em Modric, o Real criaria mais uma vez a superioridade numérica, e teria o lado esquerdo do campo inteiro livre, já que o lateral direito Piszczek é um dos 3 jogadores do Dortmund que dá o combate em Higuain.

Compactação Defensiva:

A versatilidade defensiva do Borussia permite Jurgen Klopp colocar seus jogadores em diferentes posicionamentos e funções. Assim como a marcação por pressão, a compactação defensiva também rendeu bons resultados ao Dortmund.

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Nesta imagem podemos ver TODOS os jogadores do time alemão com exceção do goleiro Weindenfeller. Chamamos de compactação defensiva por conta do pouço espaço entre as linhas de marcação. Isto permite que o Borussia “encurte” o campo, diminuindo espaços, e possibilidades para o ataque merengue. O ponto chave desta marcação é o posicionamento da linha 4, formada por Piszczek, Subotic, Hummels e Schmelzer. Hummels e Subotic, os últimos, são os dois homens que comandam a linha, com Hummels fazendo o papel de líbero em algumas oportunidades. Mas este posicionamento só é possível por conta da qualidade, inteligência e principalmente da leitura de jogo de Hummels, que adianta seu posicionamento, e tem a oportunidade de interceptar mais passes e sair com a bola dominada, facilitando a transição da defesa para o ataque.

 

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Publicado em 24 de maio de 2013, em Champions League 12/13, Especiais e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Perfeito, super completo o texto, parabéns.

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