Opinião: O Maracanã morreu. Ficou algo estranho no seu lugar


por Paulo Semicek

O cancelamento do jogo Brasil x Inglaterra no Maracanã, neste domingo (02) é algo que poderia ser absurdo. Impossível, improvável, injusto, mas não é nada disso. A liminar da Justiça aponta “falta de segurança”, mas poderia ser falta de identidade que daria no mesmo. Sim, aquele estádio conhecido como Maracanã ficou em algum lugar da história, do passado. Ficou um outro estádio no seu lugar.

Algum traço do Maracanã antigo? (Foto: Reuters)

Algum traço do Maracanã antigo? (Foto: Reuters)

O Maracanã da tragédia de 1950, de tantas finais de campeonato carioca, de jogos da Seleção, do Fluminense de Rivelino, do Botafogo de Garrincha, do Flamengo de Zico, do Vasco de Dinamite, do América e do Bangu, do Santos de Pelé, do Atlético-MG de Reinaldo e de todo o grande time que brilhou naquele gramado, esse Maracanã morreu. Morreu em 2010, em um melancólico 0 x 0 entre Santos e Flamengo. Ali o Maraca foi fechado, para nunca mais abrir.

O suposto Maracanã que está erguido hoje é um corpo estranho. Foi concebido para ser como o gigante do passado, mas cada vez menos se parece o tal gigante do passado. Não tem geral, não tem as redes do gol caídas, não tem cara de povo, não tem cheiro de povo. Foi feito ao preço de 1 bilhão de reais, mas não tem valor nenhum na moeda que o torcedor mais gosta: futebol. Custou tão caro que o Estado concedeu à iniciativa privada, que vai cobrar pela manutenção de uma moderna arena. O preço do ingresso deixará ainda menos o estádio com a “cara do povo”.

Esse Maracanã artificial tem a chance de lembrar, quem sabe até ressucitar o Maracanã de verdade, que ainda está morto. Tem Copa do Mundo e infinitos bons jogos dos grandes brasileiros para provar que é de fato um grande estádio, não apenas uma máquina de explorar clube e torcedor. Se o futebol é um negócio, o torcedor não é nem nunca será um cliente (se fosse, o torcedor iria ao Procon reclamar de uma derrota, não acha?). Para isso acontecer, o torcedor precisa pagar um preço razoável, que seja acessível a uma boa parcela da população. Nem só de elite vive o futebol atual, e afastar de vez o torcedor mais humilde não é a melhor solução.

Então, boa sorte ao Maracanã artificial. Que consiga, embora isso demore algum tempo, ser palco de momentos tão espetacular quanto o Maracanã de verdade foi. Por enquanto, é apenas uma obra que enche os olhos da CBF, da FIFA, dos governos e de quem pagar caro para ver um jogo. Nada parecido com o gigante do passado.

Aqui o verdadeiro Brasil x Inglaterra no Maracanã:  

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Publicado em 30 de maio de 2013, em Opinião e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Marcos Jose Zablonsky

    Wembley também passou por essa transformação. Fica na memória os bons jogos que assisti. Nao tenho nenhuma saudade da falta de conforto, higiene e segurança.

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