Opinião: 15 anos depois, uma certeza: a França mereceu ser campeã


por Paulo Semicek

Hoje se completam 15 anos da final da Copa do Mundo de 1998, na França. Aquele dia foi o mais triste para a Seleção Brasileira depois da eliminação em 1982; perder para os franceses, sendo o Brasil um tetracampeão enfrentando uma equipe dona da casa, mas que nunca havio ganho o mundial, isso era difícil de aceitar. E a convulsão de Ronaldo na noite anterior ao jogo deixa tudo ainda mais complicado de digerir.

Foto dos campeões de 1998 (Foto: AFP)

Foto dos campeões de 1998. (Foto: AFP)

A Copa de 98 se tornou uma lacuna curiosa para o Brasil. Embora tivesse uma equipe formada e extremamente qualificada, uma mudança de geração estava acontecendo. Se misturavam campeões de 94, como Taffarel, Dunga, Aldair, Leonardo e Bebeto, com os futuros pentacampeões, como foi o caso de Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo e Denílson.

Portanto, a seleção que foi à França tinha os elementos “ideais” para conquistar o penta já em 98: a experiência de campeões mundiais com uma juventude promissora, e já consolidada no futebol europeu. Mas a França jogava em casa, tinha grandes jogadores e estava há anos em busca de um título. Era a Taça que não veio com Fontaine, Kopa e Piantoni em 58, nem com Platini e Papin em 86.

Não vou dizer que foi normal o Brasil perder aquela final há 15 anos atrás do jeito que perdeu. Nunca soubemos bem o porquê de Ronaldo estar em campo. Edmundo estava confirmado, e 10 minutos depois saiu uma nova escalação, já com o Fenômeno, o mesmo que sofreu uma convulsão na madrugada antes da partida. No entanto, os brasileiros já tinham sido campeões em 94, e no futuro ganhariam de novo. Se existe alguma justiça no futebol, talvez ela tenha sido feita com os franceses.

Brasil estava irreconhecível na final. Os franceses, que nada tem a ver com isso, venceram e levaram a taça (Foto: Reprodução/Revista Placar)

Brasil estava irreconhecível na final. Os franceses, que nada tem a ver com isso, venceram e levaram a taça (Foto: Reprodução/Revista Placar)

A geração francesa campeã de 98 mereceu ganhar, foi bem em todos os jogos e foi muito superior contra o Brasil na partida derradeira. Ali se estabeleceu um craque, Zidane, um dos melhores meias da história. Ele comandou em campo um time de boa marcação e muita velocidade. Tanto que ganhou a Eurocopa de 2000 e as Copas das Confederações de 2001 e 2003. E a mesma mistura de gerações do Brasil em 98, aconteceu com a França em 2006, quando o mesmo craque Zidane levou o time à final, perdendo para a Itália. Uma história só manchada pelo desastre na Copa de 2002, com a eliminação na primeira fase.

De toda a forma, embora o Brasil tivesse uma grande equipe e um comportamento questionável na final, a França mereceu ser campeã. Mereceu porque bateu na trave tanto em 58 quanto em 86. Mereceu porque jogou com maestria em seu próprio país, o que não tinha feito quando sediou o torneio em 1938. Mereceu não só por um craque, mas por um time todo: Barthez, Lizarazu, Lebouef, Desailly, Thuram, Djorkaeff, Blanc, Vieira, Deschamps, Zidane, Petit, Pires, Henry e cia. Aquela hora era dos franceses, não do Brasil.

Anúncios

Sobre Jornaleiros do Esporte

Site sobre esportes dos alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Email : jornaleirosdoesporte@gmail.com Twitter : @Jesporte Facebook : http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100002390365816

Publicado em 12 de julho de 2013, em Especiais e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: