Jornaleiro Rubro-Negro: Tudo como o planejado?


por Paulo Semicek

Oito jogos de invencibilidade no Brasileirão. Segue firme na Copa do Brasil. 5°colocado, 24 pontos, a um do G-4, uma posição acima do rival. Tem um vice-artilheiro da Série A, com oito gols. E sem o estádio, em obras. Poderia ser o Internacional, como é de costume, mas o time em questão é o Atlético-PR.

Baier (30) e Everton (22) são peças fundamentais nesse crescimento do Atlético no Brasileirão (Foto: Divulgação/Atlético-PR)

Baier (30) e Everton (22) são peças fundamentais nesse crescimento do Atlético no Brasileirão (Foto: Divulgação/Atlético-PR)

No princípio era o sub-23…

No começo do ano, o Atlético tinha um planejamento, quase uma doutrina para o futebol. Estadual todo com o time sub-23, enquanto o time principal excursionava pela Europa e fazia jogos-treino. Imprensa só entrevistava se o clube recebesse o que lhe achava justo. Base da Série B mantida, técnico mantido, alguns reforços pontuais, e aposta no entrosamento da pré-temporada para competir em termos iguais na Série A e Copa do Brasil. Com toques de arrogância e alguma tentativa de inovação, era assim que o Atlético começava 2013.

Veio o estadual com o sub-23, e mesmo começando mal, o time se recuperou, revelou alguns bons jogadores e jogou de igual para igual com o Coritiba de Alex e cia. Perdeu, mas não decepcionou. O principal que jogasse com o mesmo empenho.

Altos e baixos

Tirando a Copa do Brasil com adversários fáceis até então (Brasil de Pelotas, América-RN e Paysandu), o Atlético se mostrou um time de extremos. Atacava bastante, finaliza, fazia os gols, mas não conseguia segurar o resultado. Recuava demais, não administrava o placar. Situação como essa aconteceu contra Fluminense (1x 2), Cruzeiro (2×2), Flamengo (2×2) e Vitória (1×2). A exceção foi a vitória contra a Ponte Preta (4×3), quando o time também não segurou o placar, mas ganhou nos acréscimos.

Parada para a Copa, retomada contra o Grêmio. Mesma coisa: o Atlético tinha iniciativa, atacava, fazia gols e não mantinha o ritmo, com a defesa desarrumada e a marcação falha. O Grêmio empatou, e ali Ricardo Drubscky cavou sua própria cova. Manoel se virando com Cleberson ou Luiz Alberto em má fase, Pedro Botelho marcando pessimamente na defesa. Lesão de Deivid. Éderson não ganhou sequência, Marcão titular. Drubscky fora.

Ali parecia que o planejamento lá do começo do ano tinha falhado. O time principal não mostrou a qualidade prometida, pouca gente do sub-23 aproveitada, junta isso com a Arena fechada e o Coritiba campeão estadual e com Alex jogando o fino da bola. A chegada de um técnico muito rodado e pouco bem sucedido como Vágner Mancini gerou uma grande incerteza com relação ao Atlético de 2013.

O “replanejamento”

No começo da “Era Mancini”, o técnico perdeu um Atletiba, Marcão perdeu um gol inacreditável, jogadores foram poupados contra o Paysandu na Copa do Brasil, mesmo com apenas dez jogos do time principal. Começou então uma retomada do tal planejamento, que tinha parcialmente se perdido. Primeiro ajeitando a defesa. Luiz Alberto ainda não é a melhor solução, mas com Cleberson lesionado e a falta de um reforço, o melhor posicionamento e entrosamento com Manoel melhorou a zaga. Pedro Botelho erra menos, mas ainda erra, e a chegada do lateral Willian Rocha dá opção ao setor. Saiu Marcão e veio Dellatorre, um pouco melhor, não muito, mas o revezamento com Ederson funciona bem.

Mas o mérito de Mancini está em definir as peças fundamentais do time e dar uma cara para ele. Com uma zaga ajeitada e um meio qualificado e veloz, o contra-ataque se tornou a principal arma do Furacão. João Paulo é o volante que sai bem para o jogo, Léo e Botelho escapam pelas laterais, Baier tenta dar o passe qualificado, e Everton e Marcelo são os velocistas, tocando a bola ou arrancando para o ataque. Ederson ou Dellatorre vem buscar o jogo, mas também se posicionam bem na área. O time se encontrou no campeonato.

O Furacão voltando…

Começou com o empate diante do Corinthians, mas o Atlético de hoje se firmou nas vitórias de virada contra Portuguesa (3×2) e Atlético-MG (2×1), uma semana antes campeão da Libertadores.  Vieram a calhar jogos mais fáceis, contra Goiás (2×0) e Bahia (1×0). Aqui, o Atlético dominou os jogos, e só demorou para fazer os gols porque a situação era diferente em casa; o time não precisou reagir com contra-ataques ao poder adversário, porque o adversário jogou recuado.

O auge do Furacão foi o começo de jogo contra o Internacional (2×2). Rival forte, não de ressaca de título nem em crise, o Inter demorou para reagir à pressão do CAP. O time não baixou a  guarda com os dois gols, que levou, e só um impedimento mal marcado nos acréscimos tirou a vitória rubro-negro no Rio Grande do Sul. Contra o São Paulo (1×1), o Atlético pressionou até o fim, mas não ganhou. Diante do Criciúma (2×1), o grupo mostrou maturidade para reagir e virar o jogo.

Dá para dizer que, em todos os jogos do Brasileirão e Copa do Brasil, o time foi testado em todas as situações. 0 x 0, virada, 1 x 0 complicado, vitória fácil, empate, fazer e levar gol, tomar virada e até jogar debaixo de chuva. Os jogadores foram testados, até o técnico. A sintonia fina ainda está sendo buscada, com os reforços Willian Rocha e Marco Antônio. O resultado está aí.

O futuro

O que vai ser do Atlético até o fim do ano? Resta saber qual é o limite desse elenco. Até quando o CAP vai ser uma novidade para os adversários? O grupo tem qualidade para manter o nível até o fim? A princípios existem times mais fortes e qualificados, que vão desenvolvendo o seu futebol, e deixando o Furacão para trás. O time não parece candidato ao rebaixamento, mas também uma vaga na Libertadores ainda não é uma meta tão visível.

Até agora, dá para dizer o seguinte: o planejamento não saiu como o esperado apenas em parte. O entrosamento e montagem do elenco surgiram com Ricardo Drubscky, mas era preciso um técnico mais experiente para sustentar as inconstâncias da equipe. Alguns reforços ainda podem contribuir mais, além da preparação de cinco meses de pré-temporada; o condicionamento físico que faltar aos outros times pode ainda estar presente no elenco em dezembro.

É acompanhar para ver.

 

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Publicado em 18 de agosto de 2013, em Campeonato Brasileiro 2013, Futebol Nacional e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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