Opinião: A culpa não é sua Magnano


por Lucas Vian

Em entrevista logo ao voltar da Copa América de Basquete, o técnico da seleção brasileira Rubén Magnano dividiu a culpa da eliminação entre ele e os jogadores dispensados.

Para Oscar, Rubén Magnano deveria deixar o cargo de técnico da seleção. (Foto: Getty Images)

Para Oscar, Rubén Magnano deveria deixar o cargo de técnico da seleção. (Foto: Getty Images)

A culpa não é de Rubén Magnano. Uma seleção desfalcada de seus principais jogadores, pois eles optaram por treinar por suas equipes da NBA não é culpa do técnico.

Rubén Magnano serviu como uma espécie de “válvula de escape da culpa”, para não carregá-la nos jogadores que recusaram a convocação. Jogadores que certamente fariam uma enorme diferença na Copa América, podendo levar o Brasil a uma eventual classificação ao mundial.

Se o Brasil contasse com Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers), Tiago Splitter (San Antonio Spurs), Nenê (Washington Wizards), Leandrinho (Washington Wizards), Lucas Bebê (Asefa Estudiantes, da Espanha), Marquinhos (Flamengo), Fab Melo (Maine Red Claws, da D-League) e Scott Machado (Santa Cruz Warriors, da D-League) a história certamente seria outra.

Os mais críticos de Magnano podem falar: “Com certeza essas seleções não mandaram os times completos”, porém surpreendentemente eles mandaram.

Como Manu Ginóbili anunciou sua aposentadoria pela seleção, ela teve de contar com outros nomes, porém tem Luis Scola (Indiana Pacers) e Facundo Campazzo, jogador que se destacou nas Olimpíadas. O Canadá conta com Joel Anthony, jogador que disputou a final da NBA pelo Miami Heat e com Cory Joseph, que disputou a mesma final, porém pelo San Antonio Spurs. A República Domicana estava com Francisco García, jogador importante para o Sacramento Kings, e Karl Towns, de apenas 17 anos, que atua no basquete escolar americano e já se compromissou em atuar pelo Kansas Jayhawks no período universitário.

Marcelinho Huertas (meio) chora eliminação do Brasil na Copa América. (Foto: AP)

Marcelinho Huertas (meio) chora eliminação do Brasil na Copa América. (Foto: AP)

Na Europa não é muito diferente. No EuroBasket, competição de seleções europeias, a grande maioria delas tem grandes astros do basquete europeu em seu elenco. A Croácia, por exemplo, conta com o principal nome da equipe turca Fenerbahçe e do tradicional Barcelona, Bojan Bogdanovic e Ante Tomic respectivamente. A França conta com o trio do San Antonio Spurs: Tony Parker, Boris Diaw e Nando de Colo. Turquia está com seus três jogadores que atuam na NBA: Ersan Ilyasova (Milwaukee Bucks), Ömer Asik (Houston Rockets) e Hedo Türkoglu (Orlando Magic). Espanha não conta com Pau Gasol (Los Angeles Lakers) e Serge Ibaka (Oklahoma City Thunder), mas ainda possui grandes nomes da liga americana, tal como Ricky Rubio (Minnesota Timberwolves), Marc Gasol (Memphis Grizzlies), José Calderón (Dallas Mavericks) e Víctor Claver (Portland Trail Blazers).

E temos a Grécia, um país que leva o basquete a sério. Mesmo sem Dimitris Diamantidis (Panathinaikos), aposentado da seleção, o técnico italiano Andrea Trincheri contou com grandes nomes do basquete europeu, tal como: Vassilis Spanoulis (Olympiacos), Kostas Papanikolaou (Barcelona), Georgios Printezis (Olympiacos), Antonis Fotsis (Panathinaikos) e Ioannis Bourousis (Real Madrid).

O que falta para os jogadores brasileiro é o amor por jogar pela seleção. Esse amor que os americanos possuem. Os americanos levam a sério jogar pela seleção, sem esnobar os oponentes. Isso foi visto durante as Olimpíadas, onde os americanos não enobaram a seleção nigeriana e venceram por 156-73.

Em entrevista ao portal de esportes AHE!, Oscar Schmidt afirmou que Rubén Magnano não deve permanecer como seleção e que Cláudio Mortari (Pinheiros) seria o melhor para o cargo.

Vitais para seus equipes, Tomic (esq.) e Gasol (dir.) estão disputando o EuroBasket. (Foto: TeInteresa)

Vitais para seus equipes, Tomic (esq.) e Gasol (dir.) estão disputando o EuroBasket. (Foto: TeInteresa)

Aparentemente Oscar não entendeu o que acontece com a seleção. Os jogadores brasileiros na NBA não se interessam pela seleção. A culpa não é de Rubén Magnano. A culpa são dos jogadores que optaram suas equipes em vez de sua pátria.

Tirar Magnano não é uma opção inteligente. O argentino possui uma característica que Gregg Popovich (San Antonio Spurs) também possui, o corte de ego. Pelo que acompanho da seleção, Magnano trata um jogador de NBA, assim como trata um jogador do basquete europeu, NBB, NCAA e etc. Uma característica importante para se relacionar com “jogadores superstar”.

Em minha opinião, Magnano deveria ficar no cargo, até onde o tempo permitir.

Rubén Magnano é um dos melhores técnicos de basquete hoje, junto com Mike Krzyzewski (Duke Blue Devils, da NCAA, e seleção americana), Rick Pitino (Louisville Cardinals, da NCAA), Gregg Popovich (San Antonio Spurs) e o melhor em atividade, Georgios Bartzokas (Olympiacos, da Grécia).

Em junho de 2012, o Jornaleiros do Esporte entrevistou Magnano

Cláudio Mortari, do Pinheiros, é a opção de Oscar para assumir a seleção. (Foto: Luiz Pires/LNB)

Cláudio Mortari, do Pinheiros, é a opção de Oscar para assumir a seleção. (Foto: Luiz Pires/LNB)

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Publicado em 6 de setembro de 2013, em Basquete e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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