100 anos do Diamante Negro


por Gabriel Sawaf

Nesta sexta (06/09) foi o centenário de um dos primeiros gênios brasileiros no mundo futebolístico. Trata-se de Leônidas da Silva, o homem que mostrou o mundo a arte do futebol brasileiro. O Diamante Negro, que abrilhantou os gramados dessas terras tupiniquins e da França, deixa saudades, mesmo depois de 10 anos depois de seu falecimento e de 64 longe dos gramados. O menino carioca, que começou no São Cristóvão e depois revelado ao mundo, está guardado na memória de cada fã do futebol.

A eterna invenção do Diamante Negro: a bicicleta. (Foto: Reprodução)

A carreira

Leônidas surgiu para o mundo no São Cristóvão em 1929, época em que o futebol brasileiro ainda venerava um gênio chamado Arthur Friedenreich, que apresentou o esporte ao povo brasileiro. Depois, o Homem Borracha atuou em gramados goianos e capixabas, até chegar ao lugar onde daria seu primeiro passo a eternidade, o Bonsucesso. No Leão da Leopoldina, fez 55 gols em 51 jogos, uma marca impressionante. Os números chamaram a atenção dos uruguaios – campeões mundiais da época – e Leônidas foi parar no Peñarol. Após um ano vivendo no Uruguai, o atacante voltou ao Rio de Janeiro, onde jogou pelo Vasco, Brasil e Botafogo antes de chegar ao Flamengo, clube onde viveu a sua melhor fase da carreira. Depois de quatro anos na Gávea, o Diamante Negro foi para o São Paulo, time em encerrou a carreira, em 1950.

Com a amarelinha, o garoto carioca foi responsável de mostra ao mundo a magia do futebol brasileiro. Sua primeira competição foi a Copa de 1934, o Brasil deu vexame, mas Leônidas fez o primeiro gol pela seleção (que jogava até então de branco) na competição. Já em 1938, na França, veio tudo: gols, fama e apelido. O Diamante Negro veio de Paris, após uma exibição de gala do atacante no mundial: oito gols e a artilharia do torneio. Poderia ser nove, se o juiz não ficasse assustado e anulasse a sua obra de arte: a bicicleta! Sim, pouca gente sabe, mas o juizão não conhecia a técnica e achou que era proibida, anulando imediatamente a pintura inventada pelo moleque carioca. O Brasil ficou em terceiro, começava a mostrar ao mundo que uma potência estava para surgir, e Leônidas comandava essa promessa. Depois, foram anos de espera para a Copa no Brasil, que viria a ser em 1942. Porém, a Copa foi adiada por causa da Segunda Guerra Mundial e o gênio não aguentou até 1950.

O talento

Ninguém é eternizado a toa. Leônidas não foi diferente. O Diamante Negro se destacava pela sua média surpreendente de gols. Nos seus primeiros dois clubes, sua média foi maior de um gol por jogo. No Bonsucesso, em um jogo contra o Flamengo, apresentou ao mundo – ou a quem estava em Teixeira de Castro no dia 24/08/1932 – a jogada que o consagraria para todas as gerações: a bicicleta. O lance, até então desconhecido, nasceu na goleada Rubro Anil por 5 a 2 no Rubro Negro. Mais tarde, atuando pela primeira vítima da sua obra de arte, retribuiu a nação flamenguista executando o movimento contra os argentinos do Independiente. O Diamante Negro vitimou ainda Palestra Itália e Juventus, quando defendia as cores do Tricolor Paulista. No jogo contra o Moleque Travesso fez a mais famosa de todas as suas bicicletas.

Estádio na Leopoldina é uma das homenagens ao Diamante Negro. (Foto: Divulgação/FFERJ)

Todo talento é reconhecido, e o talento de Leônidas não foi diferente. Embora que pequenas e despercebidas, as homenagens ao Diamante Negro estão por ai. Inclusive uma delas já deve ter passado pela sua mão ou sua boca. Sim, o famoso chocolate é uma homenagem ao inventor da bicicleta. Leônidas ganhou o equivalente a R$ 112 mil na época e nunca mais pediu nada. Outra homenagem ao atacante se encontra na Zona Norte do Rio de Janeiro, na Leopoldina, onde o Homem-Borracha já atuou. O estádio da Rua Teixeira de Castro foi batizado com o nome do eterno ídolo do clube Rubro-Anil e é a casa do Bonsucesso. No dia do seu Centenário, até o Google se rendeu a lenda e homenageou o Diamante em uma Doodle do site.

Ah se a Figueira de Melo, se o Campo da Estrada do Norte, se São Januário, se General Severiano, se a Gávea, se o Pacaembu, enfim, se todos os gramados que receberam o Diamante Negro falassem… Ouviríamos histórias que não se acabariam nunca, que deixariam os apaixonados por futebol mais apaixonados, e os que não gostam se tornariam apaixonados. Hoje Leônidas está a nove anos atuando pela Seleção Brasileira do céu, dando instruções aos “novatos” Gilmar e De Sordi, que foram contratados recentemente por São Pedro, quem sabe para a próxima Copa Celestial. O menino carioca deve encantar os Anjos e Arcanjos com sua habilidade, fazendo gols de bicicleta que só Deus sabe a quantidade. Enfim, se Leônidas jogar lá o mesmo que jogou por aqui, já sabemos que todos ficarão encantados com o gênio e dirão o mesmo que todos os rubro-anis, flamenguistas, são-paulinos e brasileiros dizem hoje: Obrigado Diamante Negro!

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Publicado em 7 de setembro de 2013, em Futebol Nacional e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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