Opinião: clubes brasileiros, ignorem os estaduais


por Paulo Semicek

Que todos os times da Série A joguem o campeonato estadual com um time de juniores, ou um sub-23.  Sério, é isso mesmo que você está lendo. Os clubes devem ignorar o certame regional, colocar um time menor, que se encaixe com o nível oferecido.

Foto: portaldailha.com.br

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A CBF vai mudar o calendário diante da reclamação dos próprios jogadores? Deveria, mas é muito difícil que o faça. Do outro lado, existem as federações estaduais, que tem nos seus torneios o seu único trunfo, além de um ótimo trânsito com a própria CBF (consultem as últimas votações realizadas na entidade). Além disso, a TV oferece cotas para os clubes; nem sempre o valor compensa, pelo menos para os times da Série A.

Se a reclamação é o excesso de jogos, o tempo mínimo de férias e preparação e falta de qualidade crescente dos torneios, por que não mudar de uma forma diferente? Com um time de garotos da base jogando o estadual, é possível testar esses jovens em um campeonato profissional, alguma torcida e visibilidade. Faria com que a transição base-profissional fosse mais bem sucedida; melhor do que jogar um guri de 17 anos no meio de um jogo importante, como se ele fosse a solução imediata de todos os problemas.

Mas a principal vantagem está na pré-temporada de verdade que os clubes teriam. O estadual ocupa janeiro, fevereiro, março e abril no calendário. Com todo esse tempo, dá para recuperar a boa forma perdida nas férias, recondiciona os atletas, contrata, dispensa, reformula e organiza um elenco, faz jogos treino para dar ritmo, alguns amistosos para testar formações e tática. Até dá para jogar algumas partidas do estadual, como teste, se isso não atrapalhar o desenvolvimento do sub-23, é claro.

O exemplo que parece dar certo

O Atlético-PR fez exatamente isso em 2013. Considerou irrisório o valor oferecido pela TV, não aceitou e pôs o sub-23 para jogar. Os garotos levaram um turno para engrenar, mas quando conseguiram, levaram o 2°turno. Só perderam para o rival, Coritiba, além de seus próprios méritos, pela diferença entre um time assumidamente principal e o outro não.

Enquanto isso, o Atlético principal treinou, treinou, cansou de treinar, jogou amistosos, inclusive fora do país, teve tempo para se reforçar bem (foram poucas, mas pontuais contratações). No começo do Brasileirão, o time sentiu o pouco ritmo de jogo; abria o placar e deixava empatar. Até foi necessária a troca de técnico, que só deu mais força ao time; a preparação física é boa, pois não há desgaste excessivo do início do ano. O time teve tempo de se conhecer e se entrosar. Resultado: 3°lugar na Série A, classificado para as quartas de final da Copa do Brasil, tem o artilheiro do Brasileirão e revelou bons nomes do sub-23.

Luxo para poucos?

Provavelmente nem todos os times com calendário cheio (Séries A e B) poderiam colocar um sub-23. Os clubes catarinenses especulam aplicar a mesma tática do Atlético-PR, mas a Chapecoense já admitiu não ter elenco o suficiente para isso. Mas aí vem uma outra questão: a importância que o estadual tem. Se a pretensão dos clubes da Série A é maior do que o certame regional, o peso é diferente para equipes menores. Além de não ter um plantel que consiga fazer isso de planejamento, alcance nacional ainda não é uma pretensão, algo visível a curto prazo. O estadual ainda tem importância para as equipes do interior.

Mas os que puderem colocar um sub-23 beneficiariam os times pequenos. Os grandes colocariam times de mesmo nível, a competição ficaria equilibrada. Há questões maiores do que essa sim, como a necessidade de um calendário cheio para esses pequenos, e o fato de que um estadual mais fraco afastaria as TVs. Mas o que vale mais para um pequeno: formar um bom elenco, dar um susto nos grandes, vender todo o elenco e ficar sem calendário o resto do ano, ou jogar em um nível equilibrado e ter a chance de levantar uma taça? O que os pequenos querem ser, fortes entre eles ou somente vitrine de atletas?

Quebrar a “banca”

Os clubes que podem colocar um sub-23, que o façam. Por todos os motivos listados, para reverter a lógica macabra do calendário da CBF. Ás vezes, a entidade máxima do futebol brasileiro parece querer enfiar mais e mais datas, para gerar mais cotas de TV e agradar as federações estaduais.

A CBF não entende que o princípio do “quanto mais, melhor” está defasado. Quem paga a conta é o torcedor, que vê seu time perder jogadores lesionados pelo excesso de jogos (e jogos inúteis, no caso dos estaduais), e os jogadores, que são obrigados a trabalhar de janeiro a dezembro, com bem menos do que 30 dias de férias, direito que todo o trabalhador deste país deve ter.

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Publicado em 25 de setembro de 2013, em Futebol Nacional. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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