Opinião: Corinthians vive uma crise de identidade


por Daniel Malucelli

É difícil dizer o que está acontecendo com o Corinthians. Tite assumiu o cargo de treinador em outubro de 2010. Apenas para relembrar seus resultados, desde que voltou (ele treinou o Timão entre 2004 e 2005), foram mais alegrias do que tristezas para a torcida corintiana.

Todos estão tentando blindar Tite para ele continuar no clube. (Foto: Divulgação/Corinthians)

Todos estão tentando blindar Tite para ele continuar no clube. (Foto: Divulgação/Corinthians)

Logo quando chegou, ele comandou o time na reta final do Brasileirão e não conseguiu o título, perdendo para o Fluminense. No ano seguinte, um balde de água fria para qualquer treinador. A eliminação na Pré-Libertadores, para o Tolima, logo no começo da temporada, deu a impressão de que seria difícil a permanência no cargo.

Mas Tite se recuperou, foi vice paulista com um time em formação (perdeu a final para o Santos). Até que o “time em formação” tomou corpo. E no Campeonato Brasileiro veio o “mérito”, com o pentacampeonato brasileiro (as aspas são referência aos termos frequentemente usados por Tite).

Em 2012, com um time mais “competitivo”, uma eliminação no Paulistão, tirou o goleiro Júlio César do gol, para a entrada do então desconhecido Cássio. Uma troca importante para a conquista do título mais importante da história do clube, a Libertadores. Em seguida, veio a cereja do bolo, o Mundial de Clubes, contra o Chelsea.

Mas quando uma equipe é campeã de tudo, e o tempo passa, todos se esquecem de como o time levantou todos esses troféus. E talvez até os próprios jogadores do Corinthians se esqueceram de como conquistaram tudo isso. Merecimento, competitividade, forte marcação e pressão no campo do adversário foram as marcas do time, o que não se repetiu neste ano.

Qual Corinthians é esse?

Tite e os jogadores, durante o Mundial, repetiram muitas vezes a expressão: “jogar pra caramba”. Este ano, mesmo nos títulos do Paulista e da Recopa, o time jogou apenas para o gasto. A marcação sob pressão tão é mais intensa, o toque de bola rápido e envolvente que caracterizou o time na Libertadores, foi substituído por um toque de bola lento, preguiçoso.

E o time foi perdendo sua característica. É claro, que temos alguns fatores muito relevantes para o time perder esta tal velocidade. Paulinho, que era o “pulmão do time”, saiu, Douglas e Danilo caíram de rendimento (talvez possa ser o cansaço, físico e mental), Émerson se acomodou e não é mais aquele Sheik épico da final contra o Boca.

Mas a crise de identidade fica mais evidente quando falamos de Alexandre Pato. Sua característica não combinou com o “estilo Corinthians de ser”. Não acho que ele seja uma enganação, uma mentira ou o que falam dele por aí. De fato, ele ainda não caiu nos braços da fiel. A torcida corintiana gosta do estilo maloqueiro, brigador (no bom sentido), como Tévez, Christian, Vampeta e muitos outros.

A prova disso, é que Ronaldo Fenômeno (não querendo comparar com Pato), que é uma lenda do futebol e nunca teve esse estilo brigador, em seu primeiro gol com a camisa do Corinthians, não fez sua comemoração tradicional balançando os dedos (que era uma propaganda em alusão ao numero de uma marca de cerveja) e foi subir no alambrado para comemorar com o torcedor. O gol ganhou até homenagem no CT do Parque Ecológio, na série “Gol de Muro”.

Já Alexandre Pato, em seus gols insistiu em comemorar com a mão misteriosa, que significa a “pata do pato”. Uma forma de marketing, que veio antes das boas atuações, e não convenceu a Fiel.

Pato não encaixou até agora no Corinthians. (Foto: Divulgação/Corinthians)

Pato não encaixou até agora no Corinthians. (Foto: Divulgação/Corinthians)

Outro fator foi a reposição de peças no elenco. Os volantes corintianos vêm sendo uma das fórmulas para o sucesso. Elias, Christian, Jucilei, Ralf e Paulinho são os símbolos de volantes versáteis que aparecem como surpresas dentro área. Exatamente o que deixou de acontecer com esse novo Corinthians.

A equipe campeã da Libertadores jogava sem centroavante e sem um “meia pensador”, mas Paulinho entrava na área adversária o tempo todo. Alex era a arma na bola parada, hoje uma jogada nula no Corinthians, que quase não faz gols de faltas. Depois da saída de Paulinho, o seu sucessor, Guilherme, assumiu a posição e manteve um bom nível, mas se lesionou e deixou a principal função do time vaga.

É neste momento que o Corinthians caiu bruscamente de rendimento. Entrou Íbson, que estava encostado no Flamengo, com a missão de fazer a principal função da equipe. Maldonado, já parado há dois anos também chegou e não agradou. Renato Augusto, sempre machucado, faz muita no novo sistema.

Romarinho não consegue desempenhar a dupla função que Jorge Henrique executava, acompanhando o lateral na marcação (que era feita com qualidade) e atacando com rapidez. Guerrero teve um início de ano muito bom, mas parece que cansou (o próprio já fez reclamações que gostaria de deixar o futebol nacional devido ao longo e cansativo calendário).

E por fim, o técnico Tite, deu sinais de cansaço. Não é para menos, pois ser treinador do Corinthians é muita pressão. Tem que ganhar tudo novamente, o que é muito difícil. Imagine ter que encaixar um reforço de 40 milhões em um time ajustado. Ou então, deixa-lo no banco de reservas, como está fazendo. A pressão vem de todos os lados Agora, são apenas os jogadores que podem tirar o time desta situação, e retribuir tudo o que o técnico já fez por eles, que não foi pouco.

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Publicado em 2 de outubro de 2013, em Futebol Nacional e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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