Análise tática: Cruzeiro 2013 x Cruzeiro 2003. Qual dos dois é o melhor?


por Daniel Malucelli

Este ano o Cruzeiro está fazendo um campeonato extraordinário, exatamente dez anos depois de outro time que marcou a história da Raposa, e certamente não sairá da memória dos cruzeirenses. O time de 2003, que conquistou a “tríplice coroa” (Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e Brasileirão), marcou época como um dos grandes times da última década. 

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Campeões em 2003, o time treinado por Luxemburgo e comandado Alex encantou o Brasil. (Foto: Divulgação/Site Oficial do Cruzeiro)

Mas afinal, qual dos dois é o melhor? E quais são as diferenças e semelhanças? 

Um dos melhores times que Vanderlei Luxemburgo montou (talvez seja a “obra prima” do treinador), o elenco de 2003 foi comandado dentro de campo por Alex. O craque teve uma temporada primorosa, e terminou o Brasileirão como o melhor jogador e 24 gols.

Time de 2003:2003

Gomes; Maurinho (Maicon), Cris (Luisão), Edu Dracena e Leandro; Maldonado, Augusto Recife (Felipe Melo), Wendel (Sandro) e Alex (Zinho); Aristizabal (Marcio Nobre ou Alex dias) e Deivid (Mota). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Obs: O time base sofreu modificações ao longo da temporada com lesões, suspensões e jogadores negociados.

O que percebemos logo de cara é a presença de três volantes com boa saída, uma característica clássica de Luxemburgo. Maldonado fazia a função de primeiro volante, mas tinha um ótimo passe. Augusto Recife (que não emplacou na carreira) fazia a contenção para Alex poder jogar a vontade. Ele era o maestro, que ditava o ritmo do time, além de entrar muito na área, que resultou em muitos gols do craque. Wendel fazia uma bela dupla com Leandro pelo lado esquerdo.

A versatilidade do elenco também foi um grande fator para o sucesso. No banco, jogadores de qualidade e que foram muito utilizados, como Zinho, Maicon (ele mesmo, lateral da seleção brasileira), Alex Dias e Marcio Nobre.

A zaga era formada antes por Luisão e Edu Dracena, e em alguns momentos o time chegou a ser escalado no 3-5-2, mas Luisão saiu logo após o título da Copa do Brasil, sobre o Flamengo, e Cris herdou sua vaga. Maurinho e Leandro foram fundamentais, mostrando que um time pode sim jogar pelas pontas sem ser no esquema 4-5-1.

No ataque, Aristizabal fez 21 gols no Brasileirão. E de tudo que é jeito. O colombiano impressionava pela movimentação no ataque. Deivid fez 15 gols, isso porque foi negociado na metade do campeonato, e acabou sendo substituído por Mota, que manteve o nível e marcou os mesmos 15 gols.

Time de 2013: 2013

Fábio; Ceará (Mayke), Dedé (Léo), Bruno Rodrigo e Egídio; Nílton, Lucas Silva (Souza), Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart (Júlio Baptista); Willian (Dagoberto) e Borges (Luan ou Anselmo Ramon). Técnico: Marcelo Oliveira.

Uma curiosidade dos dois times são as laterais. Nenhum deles tem laterais famosos ou de grande valor no mercado (exceção de Maicon em 2003, que era jovem e reserva), e mesmo assim são as grandes armas das duas equipes.

As semelhanças são grandes. Ceará já foi campeão do mundo pelo Internacional e Maurinho foi campeão brasileiro pelo Santos, mas não são badalados. Leandro e Egídio também tem uma situação muito parecida. Os dois passaram por clubes grandes, e conseguiram jogar apenas na Raposa.

O sistema defensivo celeste encaixou. Dedé e Bruno Rodrigo foram excelentes contratações. Nílton não fica atrás, e faz de longe, sua melhor temporada como profissional. A bola aérea é uma marca dos dois times, com zagueiros que sabem marcar gols de cabeça.

Mas o que surpreende no time de Marcelo Oliveira é a leveza do time. Lucas Silva e Éverton Ribeiro dão uma dinâmica impressionante, e a movimentação de Ricardo Goulart e Willian no ataque ajuda o time a chegar fácil no gol adversário. E Borges, que já estava esquecido, agradece. Afinal, qual centroavante não gostaria de jogar em um time tão rápido? Júlio Baptista é um reserva de luxo.

Números

É difícil dizer qual das duas equipes é a melhor. Até porque os números são contraditórios. O Cruzeiro de 2003 terminou o Campeonato Brasileiro com 100 pontos (em 46 rodadas), 31 vitórias, 7 empates e 8 derrotas. 72,5% de aproveitamento, 102 gols marcados (2,2 gols por jogo) e 47 sofridos ( quase 1 por jogo).

Já o atual Cruzeiro, até o momento (28º rodada), fez 59 pontos, com 70,2% de aproveitamento. Inferior ao time de dez atrás. Mas se formos comparar com 2003, na 28º rodada, o Cruzeiro havia feito 52 pontos, com 61,9% de aproveitamento. A queda nas duas últimas partidas quebrou uma série invicta da Celeste, mas se Marcelo Oliveira e companhia conseguirem retomar o ritmo de vitórias, eles têm grandes chances de fazerem uma campanha melhor que seu “rival”.

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Publicado em 15 de outubro de 2013, em Futebol Nacional e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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