O jogo de cartas entre Paulo Baier e o Atlético


por Paulo Semicek

Os fatos de ontem você já sabe: o Atlético-PR renovou com o veterano meia Paulo Baier até o fim da sua carreira. Acaso ou não, foi dele o passe de calcanhar que deixou Roger livre para marcar o gol da vitória rubro-negra sobre o Atlético-MG por 1 a 0. Furacão em 3°, 51 pontos, a passos largos caminhando para a Libertadores 2014. Um bom final para dois jogos: o da importância de Baier para o time e o da própria renovação.

O camisa 30 do Furacão jogará até o fim da carreira pelo clube (Foto: Divulgação/Atlético-PR)

O camisa 30 do Furacão jogará até o fim da carreira pelo clube (Foto: Divulgação/Atlético-PR)

Renovação de pôquer

O novo contrato de Paulo Baier com o Atlético tem ares de pôquer. Calma, eu explico. Lembro que esta é apenas uma opinião; não sei se os fatos assim aconteceram, mas do jeito que estão colocados na linha do tempo, é assim que parece: um jogo de pôquer.

A primeira jogada era uma carta marcada: Baier tinha um contrato até o fim deste ano. Segundo o presidente do clube, Mário Celso Petraglia, isso já estava acordado entre os dois desde o início do ano, como dito no programa Bola da Vez, na ESPN. No entanto, Baier tinha uma “boa mão”: estava jogando bem, sendo decisivo em jogos importantes. Não era (ainda não é e talvez nem seja mais) uma unanimidade, e tampouco é o líder do time de anos atrás, mas sabe se posicionar bem, e aparecer na hora certa. Os gols que deram a vitória no Atletiba comprovaram a importância de Paulo Baier para o atual elenco atleticano.

Mas o camisa 30 resolveu fazer uma jogada arriscada: expôs publicamente após o jogo que a diretoria não renovaria o seu contrato. Embora sua fase fosse ótima e a torcida no geral o idolatrasse, ele colocou a diretoria, capitaneada por Petraglia, em desvantagem.  E a história mostra que Petraglia não se deixa colocar em desvantagem.  A próxima jogada aconteceria dois dias após o Atletiba, no programa Bola da Vez.

Petraglia jogou um all-win, que é quando o jogador aposta tudo o que tem para conseguir sobreviver no jogo. E o dirigente fez isso: expôs a ideia de ter Baier só até o fim de 2013, que isso havia sido decidido, que o atleta nunca ganhou nada pelo clube, e inclusive que a arrancada atleticana rumo ao atual G-4 da Série A não tinha influência do Maestro, na maioria dos jogos. Jogou com a mão dele e com a mão de parte da torcida que minimiza a importância de Baier.

A única diferença do pôquer tradicional para esse pôquer atleticano é que Petraglia é, ao mesmo tempo, jogador e banca. Se ele jogou tudo na não-renovação, ele mesmo poderia decretar essa vitória pessoal. Mas isso teria um preço salgado: mesmo que Baier continuasse sendo importante, não jogaria um provável Libertadores ano que vem. Um pouco injusto com a torcida: tire os gols de Baier contra Coritiba e Atlético-MG, e veja os pontos que o Atlético não teria. Vou mais além: tire o gol que ele fez contra o América-MG aos 49 do 2°tempo, que terminou 5×4 para o Furacão: com dois pontos a menos, o Furacão terminaria em 5°lugar a Série B do ano passado, e lá estaria em 2013.

A próxima jogada desse pôquer é de Baier, indiretamente. Antes do jogo contra a Portuguesa (vitória por 1×0, gol de Marcelo, com passe de…Paulo Baier), torcedores gritaram pela renovação de Paulo Baier. Embora haja discussão sobre a real relevância do meia, não se pode ir contra os fatos: nesse momento, ele está contribuindo diretamente para as vitórias que mantém o Atlético no G-4. E agora, o que faria Petraglia?

A partir daqui, é tudo um exercício de imaginação. Se Baier e o presidente se encontraram ou não, qual a influência do empresário (deve ser muita, quando ler “Baier”, leia-se também o seu empresário), enfim, apenas especulação. O fato é que a jogada final foi a renovação de Paulo Baier por parte da diretoria.  Não conseguiu Petraglia superar as boas cartas que tinha o meia. Mas não seria então um risco calculado do dirigente a sua jogada no Bola da Vez? Um blefe? Ele não saberia que no momento era difícil manter a não-renovação e provocou a torcida a ficar do lado de Baier? O meia, continuando decisivo como está, não teria mais apoio e incentivo, o que o levaria a mais bons jogos?

Novamente, o tal pôquer é apenas uma visão de como os fatos foram colocados, e como eles terminaram. Agora Baier está de contrato novo, e a diretoria volta a focar no resto do elenco para 2014 e na reinauguração da Arena.

Mas Paulo Baier venceu o jogo da renovação. Se ele está jogando bem, o Atlético venceu também. E se o Atlético é comandado por Mário Celso Petraglia, ele também venceu. Não do jeito que gostaria, mas quem pode argumentar contra um 3°lugar, 51 pontos, próximo de ir para a maior competição de futebol das Américas?

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Publicado em 17 de outubro de 2013, em Futebol Nacional. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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