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ENTREVISTA COM PAULO RINK, Gerente de futebol e ex-jogador do Atlético/PR.  Por Paulo Semicek

Paulo Rink é gerente de futebol do Atlético/PR

Entrevista com Paulo Rink, ex-jogador e atual gerente de futebol do Atlético/PR

1. Como está sendo para você, essa nova função de gerente de futebol? O fato de você ser ex-jogador ajuda no contato com os atletas?

É uma função nova para mim. Acho que, por conhecer o campo, ter quase dezoito anos como profissional do futebol, me dá uma experiência para lidar com situações com jogadores, e estou tentando ao máximo ajudar o clube nessa nova função.

2. A história do Paulo Rink jogador e ídolo do Atlético, de alguma forma, criam uma pressão maior no seu desempenho como dirigente?

Eu acho que cria uma expectativa maior. Infelizmente eu como diretor, não entro mais em campo para resolver os assuntos, eu tenho que resolver os papéis, a parte burocrática, tentar deixar os atletas motivados para que entrem em campo e ganhem o jogo. Quanto ao ídolo, eu entrava em campo para ajudar, o que não acontece hoje, e tenho que dar o apoio para que os atletas façam esse papel. Espero que no futuro seja reconhecido também pela nova função que estamos tentando fazer no Atlético.

3. Quando você começou no rubro-negro, o clube ainda jogava no antigo Joaquim Américo e vivia uma fase de resultados ruins. Naquele momento você acreditava que o Atlético poderia ter algum dia, a estrutura e os grandes resultados a nível nacional que conseguiu alguns anos depois?

Honestamente, fico muito contente com a mudança no clube. Você vê uma diferença muito grande: Arena, CT, torcida. A única coisa que não mudou foi a paixão com as cores do nosso clube. Não imaginávamos, quando criança, o poder que o Atlético tem de benfeitorias na parte de gestão, estádio, parte estrutural aqui do CT. É uma das potências, no meu modo de ver, na parte de estrutura.

4. Você chegou a atuar pela Seleção Alemã. Você sentiu alguma dificuldade no estilo de jogo da Alemanha? Alguma postura diferente…?

O que eu senti de dificuldade na Alemanha em geral foi que a obediência tática é muito mais requisitada do que no Brasil. Aqui, você pode improvisar mais, arriscar mais. Lá você tem que ser mais correto; o atacante é o primeiro marcador, aqui o atacante quase não marca. Se bem que, no futebol atual, todos têm que marcar e jogar, então eu tive que aprender isso antes.

5. Como você avalia a sua carreira? Qual o momento mais marcante nos gramados que você já viveu?

Se eu tivesse que fazer tudo de novo, faria. Comecei de baixo, na categoria de base,e fui para Santa Catarina em time pequeno, me sobressaí. Fui duas vezes artilheiro do Campeonato Catarinense, voltei para o Paraná (Estado), fui artilheiro por aqui também. Consegui fazer uma história, na época do ‘’Paulo Rink e Oséas’’, a dupla que ficou marcada, mas não era só a dupla, era o time inteiro. Depois teve as outras fases na minha vida, na Alemanha, na Seleção… Realmente, acho que não é só um fato isolado, mas o conjunto todo. Sempre dei o meu máximo, em todos os jogos, ás vezes perdendo, mas saindo de campo satisfeito, reconhecendo que o adversário era melhor. Essa sensação de

você se doar ao máximo ao seu trabalho, quando você olha para trás, não se arrepende, se orgulha.

6. Falando sobre o Atlético atual, qual a maior dificuldade que você está tendo como gerente de futebol? Você se sente preparado para o cargo?

Preparado, acho que sim. Estou tentando assimilar várias funções, ajudando até em funções que não são minhas como na parte psicológica com os jogadores, na parte de exemplos de vida, de carreira. A expectativa minha é que consiga ser tão vencedor quanto fui como jogador, e me cobro muito, ás vezes deixando a família de lado para se doar ao Atlético, um clube que a gente gosta muito, tem identificação não só profissional, mas emocional. Eu vou me empenhar ao máximo para que o meu desempenho seja tão bom quanto foi como jogador de futebol.

7. O comentarista Alexandre Oliveira, da ESPN Brasil, afirma que o Atlético divide o seu investimento entre o patrimônio e o futebol. Esse comentário tem fundamento? Ou seja, essa questão das obras na Arena prejudica o investimento no elenco?

Acho que você tem que ter prioridades. A prioridade agora é da Copa, do estádio, mas temos o governo, a prefeitura de Curitiba como ajuda, e você têm que separar um pouco a fatia do bolo digamos assim, para a estrutura do clube, e para o investimento nos atletas. O balanço disso é o segredo. Você tem aí a necessidade da Copa e um pouco de prazo apertado, mas o Atlético contratou alguns jogadores de valores expressivos, no caso agora o Santiago García. Estamos também investindo no Atlético como time. A nossa prioridade também sempre foi lançar jogadores, e ás vezes demora, o jogador não é de primeira reconhecido, e temos sempre que reforçar a categoria de base, para que sempre haja novas safras, novos atletas, que possamos idolatrar na Arena.

8. Quanto ao elenco, o CAP está contratando atacante considerada uma necessidade da equipe atual. Mas a defesa também tem sido questionada, principalmente Rafael Santos, por algumas falhas recentes. O que tem sido feito para ajudar o jogador a aliviar essa pressão da torcida?

No caso específico do Rafael, é um jogador que tem um mercado muito bom. Na minha opinião ele tem qualidade, e que passa por um momento difícil, qualquer atleta passa por isso na sua carreira. Eu mesmo já passei por momentos de pressão na Seleção Alemã, onde era titular absoluto, e depois de uma lesão fiquei fora. Isso faz parte do futebol, ter altos e baixos, é uma questão apenas de como você vai lidar com essas dificuldades. Quanto aos outros zagueiros, temos os que estão retornando: o Gustavo Lazzaretti, o Bruno, que subiu para o profissional agora (apenas o liberamos para a disputa da Taça BH). Temos sim a pretensão de repor, mas não é emergencial tanto quanto é no ataque, por isso o investimento nesse setor foi maior. Continuamos em busca de novos atletas, novos nomes, e o sucesso deles em campo reflete o nosso trabalho. É importante frisar que o time que começou o Brasileiro foi montado desde o início do meu trabalho, e o elenco mudou em quatro, cinco peças. Não conseguimos 30 atletas de uma vez só, e não é prudente fazer isso. É bom mudar gradativamente, para que o time mantenha sempre uma estrutura de jogo, e consiga ser um time vencedor.

9. Para finalizar, gostaria que você deixasse um recado aos atleticanos, sobre sua história dentro do clube.

Eu vou tentar fazer minha parte como gerente, como eu fiz em campo para o clube. Me sinto honrado pela posição, sei da responsabilidade, da cobrança, mas não tenho medo de cobrança, porque eu acredito no potencial do clube, que eu posso ajudar o clube a pensar grande, em títulos, vitórias, que agora estamos em busca dessa primeira vitória no Brasileiro, e que ela aconteça o mais rápido possível.


Entrevista com Bruno Buzato – meia do Paraná Clube – Por : Thais Rodrigues 

Pra quando está previsto seu retorno aos gramados?

Acredito que, mais ou menos, uns dois meses, um mês e meio. Essa cirurgia foi bem mais fácil do que a outra praticamente. 


 Tirando as lesões, houve alguma dificuldade no desempenho do seu futebol?

Bom, na verdade, o que me atrapalhou mesmo foram as lesões. Teve em 2009 só.Quando começou o campeonato brasileiro, o Zetti me deu uma sacada ali e me deu uma gelada. Fora as lesões acho que só o Zetti que me atrapalhou mesmo, mas as lesões me tiraram muito tempo.


 Qual o sentimento de ver o Paraná nessa crise horrível?

Bom, é complicado porque você não pode ajudar, se eu pudesse estar lá jogando, seria mais fácil. Pelo menos os jogos que eu joguei esse ano, a gente ganhou então… Pelo menos pra mim foi bom, porque os jogos que eu joguei a gente ganhou. Mas você ver o clube que você gosta, se identifica, nessa crise, você fica chateado, né? Até mesmo porque você não pode estar ajudando.


 Esse começo de série B foi muito bom para o Paraná. Você acredita que, se o time continuar assim, pode brigar pelo título?

Olha, se continuar na mesma fase que tá, pode brigar sim. Mas, na verdade, o título é uma consequencia, o que a gente procura em primeiro lugar é o acesso. Ficar no G4 ali é a melhor coisa que tem, né? Se o título vier, melhor ainda. Mas se conseguir o acesso pra primeira, é bem mais tranquilo.


 Com o elenco atual e seu retorno, você se vê no time titular?

Olha, se eu te falar que eu não to acompanhando tanto futebol, porque lesão é uma coisa complicada, só quem passa pra saber. Então a gente prefere se desligar um pouco pra não ter aquela ansiedade de voltar logo, você tem que se concentrar na sua recuperação, mas eu acredito, assim, que eu voltando, só treinando pra saber, né? Só convivendo ali no dia a dia pra tá acompanhando. Mas se eu voltar pro Paraná, eu pretendo estar jogando como titular né? Pra pegar uma sequência. 

 Você já teve contato com o novo treinador?

Não. Diretamente, assim, eu e ele numa conversa mesmo, ainda não.  

Eu queria que você deixasse um recado pra torcida paranista sobre o seu retorno.

Em primeiro lugar eu queria agradecer, pelo carinho da torcida e queria pedir o apoio mesmo. 

 

Velhos Ídolos, Novas Esperanças

Juventus era base da seleção campeã mundial em 2006

Buffon, Thuram, Zambrotta, Cannavaro, Trezeguet, Del Piero, Patrick Vieira e Mauro Camoranesi. Todos estes jogadores estiveram em campo na final da Copa do Mundo de 2006, na qual a Itália sagrou-se campeã vencendo a França nos pênaltis. Todos eles também foram campeões italianos na temporada 2005-2006 pela Juventus, título que veio a ser anulado devido ao chamado Calciocaos (caso de corrupção que assolou o futebol italiano). A Vecchia Signora, que teve dirigentes envolvidos no caso, foi punida com, além da perda do campeonato, o rebaixamento à Série B. Era o fim de uma era vitoriosa em Turim e o início do calvário alvinegro.

Para a disputa da segunda divisão italiana, o grupo da época anterior foi desmontado. Dos finalistas da Copa apenas Del Piero, Trezeguet e Buffon permaneceram. O clube ainda perdeu craques como Ibrahimovic e o brasileiro Emerson. Fabio Capello, técnico da equipe nas campanhas vitoriosas de 2004-2005 e 2005-2006, também deixou o clube.

Mesmo com as perdas significativas o título da Série B veio com facilidade já na temporada 2006-2007 (mesmo tendo a Juve começado o campeonato com -17 pontos). 2007-2008 era o ano da redenção.

O time se reforçou e fez boa campanha na Série A: terceiro lugar e vaga na Champions League seguinte. Parecia que as coisas estavam voltando ao normal. Em 2008-2009 o time de Del Piero conseguiu a segunda colocação e, uma vez mais, vaga na principal competição europeia.

Eis que chegamos à época 2009-2010. A Juventus entrava pela primeira vez desde o rebaixamento como favorita ao título do Calcio, ao lado da Inter de Milão. Felipe Melo e Diego chegaram para reforçar o meio de campo. Cannavaro, ídolo da torcida que havia deixado o clube após o rebaixamento para se sagrar melhor jogador do mundo a serviço do Real Madrid, voltou. Fabio Grosso, outro campeão mundial pela Azzurra em 2006, também foi contratado.

Mas a alegria e esperança duraram pouco. Diego, após um início muito bom, caiu de produção. Fabio Grosso não rendeu e Cannavaro já não era o mesmo de tempos atrás. Ao final do campeonato, apenas um sétimo lugar que rendeu vaga à Uefa Europa League. Pouco para um time que buscava reconquistar a hegemonia nacional.

Parecia impossível a situação ser pior. Apenas parecia.

Time de maior torcida na Itália, a juventus busca reencontrar o caminho das glórias

2010-2011 foi uma temporada que ficará nos pesadelos dos torcedores. Na UEFA Europa League um vexame: a equipe caiu logo no início do campeonato, na fase de grupos, ficando atrás de Manchester City (Inglaterra) e Lech Poznan (Polônia). É bem verdade que pouco interessava tal campeonato ao time de Turim, mas a campanha no campeonato nacional evidenciou as fraquezas do time: novamente um sétimo lugar, só que desta vez nem mesmo vaga na UEFA Europa League terão.

Para a temporada 2011-2012 a diretoria já iniciou uma reformulação profunda no grupo. Chegaram Pirlo (ex-Milan), Reto Ziegler (ex-Sampdoria) e Pazienza (ex-Napoli), todos sem custos. O clube acertou ainda a contratação em definitivo de Marco Motta, Matri, Simone Pepe e Quagliarella, gastando € 37,25 milhões para tanto. Verdade seja dita, pouco para um time que sonha conquistar o título italiano, tendo em vista a força de seus adversários, principalmente Milan e Internazionale, que contam com jogadores como Ibrahimovic, Thiago Silva, Maicon, Sneijder, Eto’o e Alexandre Pato. Cientes disto, os diretores da Vecchia Signora prometem não economizar nos reforços, tendo sido disponibilizados € 190 milhões para Antonio Conte, novo treinador do Alvinegro, gastar em contratações nas próximas temporadas. Com isso, nomes como Sergio Aguero, Nani, Lass Diarra, Michel Bastos e Giuseppe Rossi passaram a ser cogitados e deve haver novidades nas próximas semanas.

Em 2011-2012 a Vecchia Signora quer mostrar um novo time para voltar aos velhos tempos. Antonio Conte, um ídolo do passado, é a aposta para o futuro. Assim como nas outras temporadas, a Juve promete muito. Resta saber se o final será um conto de fadas ou mais um pesadelo aos torcedores do time de maior tradição da Itália.

Rodolfo Luis Kowalski

 PALERMO, O DONO DA BOLA E DA TRAVE

  ”Esse cara não é aquele que perdeu três pênaltis no mesmo jogo? ”

  ” Aquele grandão lá do Boca? Prefiro o Keirrison.”

  ”Putz, já me ferrou na Libertadores.”

  Se você perguntar quem é Martín Palermo para um brasileiro que acompanha futebol com regularidade, certamente ouvirá pelo menos uma das frases acima. Sim, ele perdeu três pênaltis em uma mesma partida, na Copa América de 99, quando a Argentina enfrentou o Colômbia. Ah, ele também já quebrou uma perna comemorando um gol – na sua época de Villareal – e quando ele resolve driblar e jogar bonito, geralmente não dá muito certo. No própio Boca Juniors, onde ele é considerado um mito, existiram caras mais habilidosos: Riquelme, Maradona, Tévez, entre outros. Mas ninguém ganha as traves de um estádio em uma homenagem sem ter feito história no futebol. Toque uma bola para Palermo dentro da área para ver o que acontece.

  O jovem Martín Palermo (ou El Loco, como é chamado) começou no Estudiantes, e demorou quase um ano para marcar um gol como profissional. O rapaz era bom, mas ninguém o considerava uma promessa ( e olha que os argentinos procuravam uma nova joia, já que Maradona estava prestes a parar), o que quase o levou ao San Martín de Tucumán, mas problemas econômicos inviabilizaram o negócio. A partir dali, ele virou o homem-gol da equipe e até 1997, quando foi para o Boca, totalizou 36 gols em 90 jogos.

  Como disse, ele foi para o Boca, quase na época que seu futuro companheiro Schelotto e o técnico Carlos Bianchi. Ali Palermo demonstrou o bom centroavante que era, pesado, raçudo, mas decisivo. Aquele time conquistou o Apertura de 98, o Clausura de 99, a Libertadores e o Mundial (não o da FIFA) de 2000. Nesse meio tempo se lesionou uma vez, e quando voltou, foi em uma mata-mata decisivo da Libertadores, contra o rival histórico, o River Plate. Para não perder o hábito fez um gol. Em 2001, encerrou sua primeira passagem no time xeneize, marcando 91 gols em 102 jogos, quase um gol por jogo, desempenho impressionante.

  Assim, El Loco foi para o Villareal, onde foi mediano, marcando 18 gols em 70 jornadas. Quebrou a perna de forma bizarra ( comemorando o gol, como já foi dito) e seguiu para o Bétis, onde jogou menos ainda ( 2 gols em 11 partidas), e logo depois partiu para o Alavés, onde foi igualmente pífio: 3 tentos em 14 jogos. Talvez seja esse o motivo de Palermo não ser considerado um grande jogador por alguns críticos: ter ido mal na Europa. E realmente, os melhores estão por lá. Mas, no que diz respeito á importância de um atleta para o clube, não é preciso jogar fora do seu país. Marcos, goleiro do Palmeiras, está aí para provar; pergunte para um palmeirense sobre a importância do arqueiro na história do clube. Embora tanto Marcos quanto Palermo não tenham essa referência europeia, suas participações nos clubes de coração valem muito mais do que o status de estrela que teriam no Velho Continente. E Palermo descobriria isso na sua volta ao Boca, em 2004.

  Em seu retorno, Martín teve que se readaptar ao estilo latino de jogar, o que lhe custou a titularidade em alguns momentos. Mas com a chegada de Alfio Basile, ele recuperou seu faro de goleador, o que valeu para as  conquistas da Sulamericana de 2004 e a Libertadores de 2007. Como atacante de referência, fez muitos gols, servido por Riquelme, Palacios, Dátolo, entre outros. Embora estivesse com mais de 30 anos, seguia fazendo seu melhor.

  Em 2009, fez um gol de cabeça quase do meio de campo, a 39 metros da meta, um recorde. Em 2010, tornou-se o maior artilheiro da história do Boca Juniors, marcando dois em uma goleada de 4 a 0 sobre o Arsenal de Sarandí, chegando á marca de 220 gols, ultrapassando Roberto Chero, com 218. Ainda em 2010, foi convocado por Maradona para a Copa do Mundo da África do Sul. Surpreendente, pois Palermo sempre foi menosprezado pelos técnicos anteriores. O ”fator Europa” pesou; Tévez, Batistuta e Crespo fizeram melhores campanhas no exterior, durante toda a carreira de Palermo. Considere também o episódio dos pênaltis, e alguma limitação para criar jogadas. Enfim , ele fez apenas sete jogos pela Argentina, e seu último gol foi justamente na Copa, contra a Grécia. Digamos que o caso de Martín seja parecido com o Rogério Ceni na Seleção Brasileira; são bons, mas não considerados bons o suficiente para jogar pelos seus países.

  Mas, voltando ao Boca, no último domingo (19), contra o Gimnasia La Plata, Palermo se despediu dos gramados. Foram 227 gols pelo clube bocanero. Ganhou uma capa de ”superman”, faixas e gritos dos torcedores, as traves da Bombonera, como presente pelos seus mais de 300 gols na carreira. Claro que ele se emocionou. Merece as homenagens, e agora seu nome ficará marcado nos livros, na cabeça dos torcedores que tiveram o prazer de tê-lo em seu time, e é evidente, nos bons blogs esportivos.

Paulo Semicek

Entrevista com Alvaro Dias – Senador da República – Por : Marcio Kaviski 

1-Ricardo Teixeira e João Havelange foram acusados pela BBC Londres de receberem propina por compra de votos.A CPI do futebol descobriu os valores reais das propinas ?

O que a CPI do Futebol que presidi no Senado denunciou, foi a existencia da empresa SANUD de Ricardo Teixeira,  no paraiso fiscal. Mostrou a movimentação financeira ilícita , configurando lavagem de dinheiro. A estratégia era a simulação de empréstimos dessa empresa para outra  de RT no Brasil e dela para sua conta bancária.Os empréstimos eram ficticios e movimentavam milhões de dólares. Provavelmente a partir dessa denuncia as atenções se voltaram para a SANUD de RT ,destino do dinheiro das propinas. A BBC revelou que RT e Havelange devolveram 9,5 milhões de dólares e o inquérito na Suiça foi arquivado.

2-O Jornalista britânico Andrew Junnings cita várias vezes em seu livro,”Jogo Sujo”,o nome de Ricardo Teixeira.Qual sua opinião sobre Teixeira ser o responsável pela próxima Copa do Mundo e ainda ser um dos diretores executivos da FIFA ?
Acho temeridade, absurdo, escárnio, alguem denunciado internacionalmente  e sub judicie no Brasil comandar projeto de tamanha importância. As denuncias encaminhadas ao MP pela CPI do Futebol produziram várias ações criminais contra Teixeira. Todas estão paralizadas na Justiça Federal do Rio. O Governo brasileiro não deveria admitir parceria com a alguem comprometido irremediavelmente. Perdemos credibilidade internacionalmente e abrimos as portas para a corrupção internamente, com a prevalência da impunidade. A relação do Executivo federal com Ricardo Teixeira é promíscua e compromete o projeto da Copa 2014.
3-O Senador é contra ou a favor da Copa do Mundo no Brasil ? Por que ? O Sr acredita que o Brasil ficará pronto para receber o mundial ?
Agora é tarde. Creio ser irreversível. A Copa se realizará aqui e temo pelo legado. Não estaremos convenientemente preparados para a Copa.Desperdiçaremos oportunidade impar de difundir mundialmente a melhor imagem .Mas certamente teremos a COPA. A conta a ser paga pela população pode ser dramática. A Grécia envolta em crise sem precedentes , sofre as consequências de investimentos sem o retorno compatível, realizados por ocasião da Olimpíada. Uma das causas fundamentais da crise vivida atualmente e que está a exigir solidariedade dos grandes paises europeus.
4-Qual é a sua opinião sobre a presidência de Órgãos Esportivos ser rotativa? 
A rotatividade é democrática, proporciona transparência e certamente exige maior correção no exercício dos mandatos.
5-A rede globo denunciou Ricardo Teixeira na década de 90 por desvio de dinheiro da CBF.O Senhor pode falar um pouco sobre o caso ? 
Durante os trabalhos da CPI do Futebol a Globo ofereceu grande cobertura às denuncias que envolviam RT e a CBF. Hoje os negocios que envolvem interesses da empresa e da CBF reduzem os espaços para a veiculação dos escândalos atuais.
6-Qual é seu maior medo em relação a Copa do Mundo de 2014 ? 
A herança. O chamado legado. O Brasil com tantas demandas, especialmente sociais,(basta citar a saude publica) investe bilhões para a festa com a qual poucos ganharão. A corrupção é ameaça e a conta salgada será debitada aos brasileiros.
7-Na sua opinião,qual é o grande mal do futebol ? Por que ? 
A gestão administrativa do futebol brasileiro é claudicante. Melhoramos com os avançoes proporcionados pela CPI do Futebol que idealizou nova legislação, propondo maior transparência, prestação de contas e responsabilização de dirigentes, mas a eficiência está distante.



Entrevista com Thais Ribeiro Picarte – Goleira da Seleção Brasileira Feminina de Futebol – Por : Nivia Maria

1-     Como está a preparação da Seleção? E quais são as expectativas para a Copa do Mundo?

Estamos nos esforçando para poder obter o melhor resultado no pouco tempo que temos, todas as seleções tiveram uma preparação mais adequada, mas com a qualidade dos profissionais a nossa volta tenho certeza que vamos chegar a um bom nível.

Em nosso país nunca se espera menos que chegar ao pódio e com certeza temos este objetivo. Estamos trabalhando duro, não para ser a seleção de estrelas que todos esperam, mas para sermos campeãs mundiais.

2-    Qual a seleção favorita ao título?

O mundial será realizado na casa da atual campeã, assim sendo, é a Alemanha é a favorita. Mas todos sabem que favoritismo no futebol não garante título algum, queremos surpreender e realizar o sonho de todas.

3-    Você acha que o título é a coisa mais importante ou o futebol em si, o fato de ficar bem colocada em um campeonato conta mais?

Com certeza o futebol feminino no Brasil não sobreviveria sem títulos, temos muitas dificuldades e apostamos neste título para alavancar de vez esta modalidade no país.

4-    Qual a relação entre as jogadoras? O que vocês fazem nas horas vagas (se é que elas existem)?

Esta nova geração do futebol feminino é bem diferenciada, todas temos uma formação e uma instrução maior que em outros tempos. Isso fez com que a mentalidade do grupo e a relação entre as jogadoras mudassem completamente, cada uma sabe sua responsabilidade e posição dentro do grupo. Nos apoiamos e incentivamos mutuamente, dessa maneira tudo melhorou por aqui. Somos todas além de companheiras de trabalho, amigas e isso se notaem campo. Normalmentenas horas vagas descansamos e recuperamos força para os próximos treinamentos, já que estamos quase sempre em concentração e não podemos sair.

5-    O técnico de vocês, Kleiton Lima, é bastante exigente? Vocês analisam os adversários antes das partidas? Como?

Aqui na seleção a exigência é que sejamos sempre extremamente profissionais, muita dedicação e seriedade a cada treinamento. Antes de cada jogo nosso técnico sempre analisa e expõe todas as informações sobre as outras equipes, qualidades técnicas das jogadoras, postura tática entre outras.

6-    Desde quando você começou a jogar futebol? Alguém te incentivava?

Comecei em um clube na cidade de Santo André, onde nasci, quando eu tinha dez anos. Meus pais sempre me apoiaram: desde que iniciei sempre foram meus maiores fãs, juntamente com minhas três irmãs.

7-    O que fez você escolher a posição de goleira?

Quando eu comecei a jogar não queria ser goleira, mas era a mais alta do time e não tinha medo. Então aos poucos fui cedendo aos pedidos das companheiras e da treinadora e comecei a jogar no gol. No ano de 1997, fiz um teste no São Paulo F.C. e foi lá que me firmei como goleira e acreditei na possibilidade de crescer como jogadora.

8-    Qual foi o clube que te revelou? Por quais clubes você passou? E como foi sua convocação para a Seleção?

Fui revelada pelo Clube Atlético Aramaçãn, na cidade de Santo André.

Meus clubes como profissional:

1998 a2000 – São Paulo Futebol Clube

2000 – Palestra São Bernardo

2001 – Clube Atlético Juventus

2002 – Lazio Calcio Feminile *

2002 a 2003 – São Bernardo FC

2005 – São Paulo Futebol Clube

2005 – Convocação Seleção Brasileira Universitária

2006 – Palmeiras/São Bernardo

2006 – Convocação Seleção Brasileira – Principal

2006/2007- Sporting Club de Huelva – Espanha

2007/2008 – Sporting Clube Silva – Espanha

2008 – Convocação Seleção Brasileira – Principal

2008 – SC Corinthians

2008/2009 – Sporting Clube de Huelva – Espanha

2009/2010 – Levante Unión Depotiva – Espanha

2010 – Seleção Brasileira – Principal

2011 – Seleção Brasileira – Principal

2011 – Bangu A.C.

Já tive a oportunidade de jogar pela seleção anteriormente, mas no meio do ano passado, quando retornei ao Brasil, fui novamente convocada para preparar-me para o Sul Americano. E foi então, que começamos a trajetória rumo ao mundial.

9-    O futebol feminino no Brasil não é tão reconhecido. Você acha que dá para uma jogadora viver só do futebol, atuando no Brasil?

Algumas meninas já vivem do futebol em nosso país, ainda que seja um grupo muito reduzido. Exatamente por isso ganhar este campeonato é tão importante para o futebol feminino do Brasil, temos a missão de alavancar este esporte.

10- Para que time você torce e por quê?

Sou uma atleta profissional e torço pelo time que me apóia.

11- Você pensa em jogar no futebol internacional?

Joguei por alguns anos fora do país e neste momento estou apostando no futebol brasileiro e pretendo me consolidar em meu país.

12- O que você pretende fazer depois que se aposentar do futebol?

Sou formadaem Educação Física, mas pretendo fazer uma nova faculdade em outra área. Gostaria de seguir trabalhando com o esporte, mas desta vez como treinadora ou quem sabe na direção de algum clube.

13- O que você espera de toda essa preparação?

Espero que cheguemos à Alemanha muito bem preparadas fisicamente, porque qualidade não nos falta. Os jogos serão muito duros e difíceis e somente com muita preparação física superaremos os adversários que virão. O grupo está unido e esperamos trazer este título com superação e apoio entre todas. 


ENTREVISTA COM ENDERSON MOREIRA – POR : MARCIO KAVISKI

1 – Enderson, você chegou em um momento difícil da equipe do Fluminense. A vaga para a segunda fase da Libertadores era tida como impossível por grande parte da imprensa nacional. Qual foi o diferencial  do seu trabalho para a conquista da vaga ?

 Acho que acima de tudo foi passar tranquilidade para os atletas, mostrar para eles que precisávamos viver um jogo de cada vez, evidentemente com organização tática, buscamos encaixar nos adversários e acho que fizemos bons jogos na libertadores, infelizmente o final não foi da maneira que esperávamos, mas fizemos um bom papel, em função das circunstâncias.

2 – O Fluminense ter passado de fase na Libertadores  já foi uma vitória? Por que? 

Como falei em função das circunstâncias, acho que foi uma grande vitória a classificação na primeira fase.A equipe se encontrava em último lugar no grupo da Libertadores, estava em 3º no grupo da Taça Rio, acabava de perder um grande treinador e com todas as dificuldades políticas sinceramente, não era provável uma classificação.

3 – Você trabalhou muito tempo nas categorias de base, qual é a diferença de trabalho de um técnico  que comanda uma categoria profissional para um que comanda uma categoria de base? Qual é a mais complicada para se trabalhar?

Bem, cada segmento tem suas características.No trabalho de base você tem que ter um lado formador mais presente no dia a dia,precisa tomar algumas atitudes para fazer com que o atleta possa se manter sempre em desenvolvimento e principalmente usar os jogos como meio de avaliação dos treinamento,mas acho que você deve formar buscando vencer, pois no futebol só sobrevive quem realmente tem espírito vencedor. Já no profissional, tudo é voltado para o resultado, todo o treinamento é voltado para o jogo, vencer torna-se sinônimo de sobrevivência, o apelo da mídia é enorme e tudo toma uma proporção extraordinária, portanto exige um maior controle emocional de todos os atletas, dirigentes e comissão técnica.

4 – Quando o técnico Muricy Ramalho saiu do Fluminense ele reclamou da estrutura de trabalho do clube. Qual é a real situação de estrutura que o Fluminense tem hoje? Alguma coisa melhorou depois da saída de Muricy?

 Bem, realmente a estrutura do Fluminense hoje, em se tratando de uma equipe de ponta, precisa de melhorias, principalmente na qualidade e quantidade de campos para treinamento, mas é importante deixar claro que essa estrutura ajuda e muito na preparação de  uma equipe, mas o que determina o sucesso de um clube de futebol, é sem dúvida alguma a qualidade dos jogadores e comissão técnica,quantos clubes no Brasil não apresentam estrutura física fantástica e não conseguem bons resultados ?Com certeza é em função da falta de qualidade dos atletas.

5 – Você conhece muito bem o Inter B, tem algum jogador naquela equipe que merece um destaque futuro ? 

O Inter criou um projeto maravilhoso, que é o time B, onde você consegue introduzir os grandes talentos da base e alguns atletas que se destacam em equipes menores, no jogo de adultos, isso com certeza possibilita o amadurecimento destes atletas, com isso a chance desse atleta subir para o time principal e conseguir êxito é bem maior. Mas é muito importante criar espaço para que esses atletas possam subir. O Inter tinha atletas extremamente talentosos nesse time B, como Leandro Damião, Walter, Oscar, Marquinhos(hoje no Avaí), Guto(Goiás), Josimar(Ponte Preta), Juan, Ricardo Goulart, Daniel, Eduardo Sasha, Augusto, Elton, Juliano, Massari, Wagner Silva, Rodrigo Moledo, Romário, João Paulo, Lucas Rogia,entre outros que em breve estarão se destacando no futebol do Inter e de outros grandes clubes.

6 – O Abel Braga começou a trabalhar a pouco tempo. Qual a maior diferença entre o trabalho dele, o seu e do Muricy ?

Sinceramente não sei, não acompanhei o trabalho do Muricy e o Abel chegou recentemente, mas com certeza são dois treinadores extremamente vencedores, e portanto apresentam muitas qualidades. Eu tenho um longo caminho a percorrer ainda, embora já tenha aproximadamente 15 anos como técnico.

7 – Quem é o líder do Fluminense ? Por que ?

Todo time de futebol é formado por atletas e dentro deste grupo de atletas alguns se destacam pela representatividade. No Fluminense consegui detectar alguns durante este período como Ricardo Berna, Deco, Fred, Conca e Edinho.                                                                                          

MARCIO KAVISKI 

        

ENTREVISTA COM ALEXANDRE GAMA – TÉCNICO DA SELEÇÃO DA CORÉIA DO SUL – POR : MARCIO KAVISKI

1 – Qual a maior força do futebol da Coréia do Sul ?

 Aqui como em qualquer lugar os times de maior investimentos são os mais fortes.O campeonato é bem nivelado e o sistema de DRAFT(escolha) ajuda a isso.Mas o grande lance aqui é escolher bem os três estrangeiros e o asiático,fazendo isso bem você tem grandes chances de ir bem.Os melhores times aqui,na minha opinião são : Jeonbuk Hyundai,Seoul LG,Suwon Sansung e depois vem os outros.

 2 – O Gyeongnam FC foi fundado em 2006. Você fez um trabalho muito bom lá que despertou interesse da federação da Coréia do Sul. Foi uma surpresa para o convite para você ? Por que ?

O Gyeongnam FC é um time novo e com um investimento médio/pequeno,aqui na Coréia é time para ficar entre o décimo e o décimo segundo lugar em um liga de dezesseis times. No meu primeiro ano aqui ficamos em sétimo lugar brigando por um lugar nos PLAYOFFS e fomos considerados o time sensação da KLEAGUE. No segundo ano,já conhecendo melhor o sistema de DRAFT e do futebol Coreano,fiz boas escolhas e contratamos bem, o time foi para as finais do torneio e foi considerado o de futebol mais bonito e diferente , com muitas revelações e jogadores novos.

Então logo após a Copa do Mundo  o Head Manager do meu clube,uma pessoa muito famosa aqui,é considerado o Pelé da Coréia,foi convidado para ir trabalhar na seleção.Quando acabou a KLEAGUE ele me convidou para a seleção,para mim foi uma surpresa por que os Coreanos são muito fechados e cheios de regras e a seleção para eles é algo muito difícil de ter estrangeiros , eu sou o segundo a ter essa oportunidade aqui , antes foi do Gus Hiddink em 2002.

 3 – O maior objetivo da seleção é a classificação para a Copa de 2014 ? Como será para você voltar ao Brasil com uma seleção estrangeira ?  

Esse é o nosso grande objetivo , apesar de saber que vai ser bem difícil por que os times asiáticos estão evoluindo muito e estamos em transição de jogadores,apesar de eu achar essa nova geração melhor e com mais qualidade. Essa Copa já é especial por ser no Brasil e será sem duvida um marco na minha carreira poder participar dela com uma seleção estrangeira. Espero ter mais respeito e oportunidades no Brasil após a Copa.Coisa que já tenho na Ásia.

4 – Qual foi a maior dificuldade que você encontrou nos costumes da Coréia do Sul? Por que? 

Foram muitos,aqui tudo é diferente. Para você ter uma idéia,logo no meu início , na pré temporada estávamos treinando muito forte e dei uma folga de um dia,meu auxiliar morava perto do CT e me ligou falando que estavam todos os jogadores dentro do campo treinando,fui lá e eles me falaram que na Coréia não tem folga,isso não existe para eles,a partir dali nos adaptamos.

A comida é bem complicada no início.A língua também é complicada aqui,tenho um tradutor direto comigo apesar de saber falar algumas coisas em coreano, e isso atrapalha um pouco,eles não falam nada de inglês.Agora na seleção melhorou por que muitos jogam fora e já posso falar sem tradutor. Aqui a cultura é mais forte que no mundo árabe, por que tem umas regras que,as vezes para nós estrangeiros gera conflitos,mas tudo faz parte do pacote.

5 – Depois da campanha de 2002 na Copa do Mundo a pressão sobre os resultados da seleção cresceu ?

Não, aqui é bem tranqüilo. Eles sabem que o fator casa ajudou bastante.Porém,eles querem muito a classificação para a próxima Copa e uma boa posição na Copa pode dar outro rumo ao futebol por aqui.

6 – Qual o maior craque da seleção coreana ?

Hoje o maior nome da seleção é o Park Chu Young(Mônaco-FR), mas temos outros jogadores de grande qualidade que já estão jogando em grandes times da Europa como o Lee Chung Yong(Bolton-Eng),Koo Já Cheol(Wolfburg-ALE),Ki Sung Yeueng(Celtics – SC) e outros.Nosso conjunto é muito forte e jovem. 

7 – É melhor trabalhar na Emirados Árabes  ou na Coréia do Sul ? Qual tem o futebol mais desenvolvido ? Por que ?

Os dois países são bem diferentes para viver e trabalhar.Nos dois fui muito vem recebido e fiz bons trabalhos.Gosto bastante dos dois. Sem dúvida o futebol da Coréia do Sul é melhor,mais desenvolvido,mais profissional. 

 8 – Qual a visão dos asiáticos sobre a participação da Austrália na Copa da Ásia ?

Acho que foi o grande erro deles deixarem a Austrália participar da parte asiática.Isso é minha opinião , eles não comentam muito sobre isso. Os Australianos são fisicamentes mais fortes e jogam o futebol inglês de antigamente , isso complica muito para os asiáticos,só o Japão e a Coréia conseguem fazer frente.É mais um na briga por uma vaga na Copa,por isso está mais difícil as eliminatórias aqui.

9 – O terceiro lugar na Copa da Ásia foi considerado um bom resultado ? Por que ?

A imprensa e a torcida gostaram,mas eu não,com o time que tínhamos e o que jogamos na Copa da Ásia era para ser campeão.Não perdemos um jogo.Porém demos mole contra a Índia,ganhamos mas faltou um gol para sair como primeiro do grupo e isso iria fazer a diferença no final.Hoje são doze jogos a frente da seleção sem derrotas : dez vitórias e dois empates. 

10 – Como está sua relação com o Romário hoje em dia ? 

Sabia que essa pergunta ia aparecer ( risos ).Aquilo passou,aconteceu,seguimos nossas vidas,não o vejo com a mesma freqüência de antes por estar morando fora do Brasil,mas sempre que nos encontramos nos cumprimentamos e quando dá, ainda jogamos um Fut Vôlei.                                                                                                                                                                                                                                                

Marcio Kaviski                                 

                                                  

Entrevista com Leonardo Mendes Júnior , Editor Chefe da Revista ESPN- Por : Marcio Kaviski    

1)O maior jogador de futebol que você teve a oportunidade de ver jogar ?

Ronaldo. Pelo conjunto futebol + história. Dentro da área o Romário foi melhor que ele, tive a chance de ver o Maradona ganhar uma Copa e destruir no Napoli, mas jogar em alto nível mesmo tendo sua carreira condenada mais de uma vez, só mesmo o Gordo. 

 2)Qual o melhor jogo de futebol que você viu ? Por que ?

Essa é difícil pacas. Vi muito jogo legal. Talvez o que mais tenha marcado tenha sido a final do Paranaense de 90. Sinceramente não lembro se o jogo foi brilhante tecnicamente, eu tinha só 10 anos e nunca mais vi aquele jogo. Mas foi minha primeira final de campeonato no estádio. Arquibancada lotada, gente se acotovelando, um baita sol, toda aquela variação no placar. Atlético sai na frente, Coxa vira, Atlético empata com um gol contra. Se eu tinha alguma dúvida dentro de mim sobre minha paixão pelo futebol, ela acabou naquele dia. É um jogo que me marcou e do qual eu me lembro até hoje.

 3)Qual o tamanho dos times paranaenses  na visão paulista ?

No geral, times pequenos que eventualmente fazem alguma graça. Dentro disso, tem uma diferença de visão entre eles. O Coxa é visto com mais simpatia. Foi muito grande nos anos 70, foi campeão brasileiro nos anos 80. É visto meio como o Bahia, sabe. Um time grande, de tradição, que passou uns apuros recentemente. O Atlético é visto com alguma antipatia. O começo fulminante na década passada assustou um pouco o establishment do futebol nacional. A figura do Petraglia ajudou a reforçar essa antipatia.

 4)Você foi editor do caderno de esportes da gazeta do povo e hoje é editor da Revista ESPN , quais as diferenças entre editar um caderno de esportes em jornal e editar uma revista esportiva ?

Mais fácil eu te responder a semelhança: ambos tratam de esporte. E para por aí. O tempo das coisas é muito diferente. Se o jornal às vezes já sai com gosto de pão amanhecido em relação à internet, ao rádio e à tv, imagine a revista, que sai no mês seguinte. Exige de você antecipar muito mais as coisas, procurar aprofundar muito mais os temas. O cuidado estético também é maior. Você tem fotos maiores, tem uma capa que exige todo um cuidado de figurino, da mensagem que se quer passar que não tem em jornal. Em jornal você até planeja, mas às vezes pinta alguma coisa a 30 minutos do fechamento, você muda tudo, arruma uma foto em cima da hora e fica bom. Se é assim em revista, já era, a capa fica uma porcaria. E tem outro negócio que eu costumo brincar. Quando as coisas estão dando certo, revista é ótimo, porque teu acerto fica o mês inteiro na banca, enquanto no jornal, deu meio-dia, ninguém lembra mais o que saiu de manhã. Agora, quando tá dando errado, muito melhor jornal. Você já tem no dia seguinte a chance de limpar a cagada. Já na revista, o erro fica o mês inteiro te martelando, estampado na revista e você sem poder fazer nada.

 5)Você mencionou no seu blog Bola no Corpo que a dupla Atletiba deveria olhar mais para o mercado sul-americano.Você acredita que o mercado africano seria uma boa alternativa também ? No Coritiba temos o caso do Angolano Geraldo,ele deu sorte ou essa fórmula poderia dar ainda mais certo ?

É diferente. América do Sul é aqui do lado, a cultura é um pouco mais parecida, o idioma você pelo menos enrola no portunhol. A África é complicado. A cultura é muito diferente, tem a barreira do idioma (algo que o Geraldo não tem, mas 95% do continente teria). Isso eu acho que complica um pouco mais. Agora, se fizer uma observação séria, tem como descobrir um guri da África em que valha a pena investir. 

 6)Você acredita que a vitória de 6 x 0 do Coritiba sobre o Palmeiras na Copa do Brasil provocou uma reação inversa na equipe ?

Causou um certo deslumbramento. Difícil não se sentir poderoso. É do ser humano. Você faz um trabalho maravilhoso, que todo mundo elogia e comenta, claro que você sai um pouco do chão. A questão é quanto tempo você vai ficar flutuando. O Coxa ficou um pouquinho mais do que precisava, porque passou um sufoco desnecessário contra o Ceará. Mas acho que já voltou ao seu devido lugar. 

 7)Qual a sua opinião sobre o trabalho do técnico do Atlético-PR , Adilson Batista ? Você acredita que com três derrotas seguidas nas três primeiras rodadas ele “corre perigo” ?

Sempre corre, né. Futebol é isso. Resultado ruim não perdoa ninguém. No geral, eu gosto do trabalho do Adilson. É um cara que sabe o que está fazendo quando arma o time, quando mexe no time. Porque estudou o jogador dele, estudou o adversário. Mas às vezes passa a impressão de que ele sabe tanto, que precisa demonstrar isso. Aí escala quatro volantes, faz umas mudanças desnecessárias, insiste em jogador ruim. Enfim, faz lambanças desnecessárias. Ele precisa controlar isso ou dar um jeito de reduzir o erro ao máximo. O Adilson perdeu uma final de Libertadores em casa, foi demitido do Corinthians, foi demitido do Santos. O Atlético deveria ser o time da redenção dele. É a cidade do cara, o clube dele, melhor impossível. Se der errado no Atlético, vai ter que ir pro Japão ou pro Oriente Médio dar uma sumida, fazer um bom trabalho, zerar o velocímetro e voltar para o Brasil. 

 8)No seu Blog você comenta que a demissão do técnico do Paraná,Ricardo Pinto deveria ter ocorrido antes.Você acha que Roberto Fonseca dará conta do recado ?

Dos nomes que foram especulados, é o melhor. O elenco é interessante, se colocar as contas em dia apaga um fantasma e o Roberto Fonseca tem bons trabalhos no currículo. Recentes até. Mas também tem trabalhos muito ruins. Não dá pra ter certeza de que lado a moeda vai cair aqui no Paraná, mas acho que a chance maior é de dar certo. O problema é, dando certo, se ele fica até o fim ou larga como fez com o Botafogo de Ribeirão.

 9)A primeira medida que os dirigentes do Paraná Clube tem que fazer para a equipe voltar para série A do campeonato paranaense ? 

Subir até o time que caiu esse ano sobe. A Segundona do Paranaense é semiamadora. O foco tem que ser outro. Se subir no Brasileiro, é começar o ano com um time de Série A. Se ficar na B, é começar com um time para subir. Não dá para jogar o Paranaense com mão de obra temporária como fez nos últimos anos.

 10)Um ídolo no Jornalismo Esportivo e Por que ?

Um só? Difícil dizer. Na verdade, acho que chega uma idade em que não faz muito sentido você idolatrar alguém. Idolatria parte do princípio de que aquela pessoa é perfeita, o que não existe. Então prefiro admirar uma série de pessoas e delas tirar algo de bom para melhorar o meu trabalho. Os caras com quem eu trabalho na revista são fonte de inspiração, como eram os da Gazeta, como são jornalistas que eu vejo na TV pela postura ética ou firme, ou caras que escrevem pela qualidade do texto e da apuração, ou editores que sabem como fechar bem uma revista ou um jornal. Prefiro esse mosaico de referências ao invés da idolatria. 

 11)Quais as posições em que Atlético –PR e Coritiba irão terminar na competição ? Você tem um palpite ?

Os dois terminam entre os dez primeiros. 

 12 )Ficar na Série B já seria uma vitória para o Paraná Clube ? Por que ?

Sim. O clube chegou o mais fundo possível na sua história. Não é fácil sair de um rebaixamento no estadual para um acesso nacional. Esse ano é para acreditar e fazer um trabalho para subir, claro, mas ter a consciência de que ficar já será uma boa. 

 13)Em que posições as equipes de Atlético-PR e  Coritiba precisam se reforçar ?

O Atlético precisa de um lateral-esquerdo e um atacante de área. O Coritiba precisa de um atacante do nível do Marcos Aurélio. No caso do Atlético, dois caras para chegar e jogar. Do Coxa, um imediato para o Marcos Aurélio mesmo. Fora isso, qualquer bom reforço, melhor que os titulares que você tenha, ajuda, deixa o elenco mais forte, reduz o efeito de uma contusão, de uma suspensão ou até de uma negociação.

 14)Qual seu time do coração ?  

Ah, eu sabia que vinha essa hehehe Vou ficar te devendo e explico por quê. Jornalista esportivo é (ou deveria ser, né) uma ilhazinha minúscula de isenção no meio de um oceano de paixão. A analogia é piegas, mas acho que passa o que eu quero dizer. Se eu te falo para que time eu torço e isso se torna público, o que acontece. Tem torcedor que vai dizer: Eu sabia! Por isso ele escreveu aquilo. E aí para um grande público tudo o que eu escrever ou falar fica balizado por eu torcer para A, C ou P. E não é isso. Eu costumava dizer que quando eu passava o crachá na catraca da Gazeta, o torcedor ficava na rua. Como hoje eu faço muita coisa em casa, por causa de blog etc., eu te digo que o torcedor fica dentro do pijama, já que o quarto é o único lugar em que eu não trabalho de jeito nenhum. Então não é justo eu por anos de dedicação e um preparo profissional contínuo em segundo plano por assumir ser torcedor de um clube. Espero que você entenda.

 15)Você gostou da convocação do técnico da Seleção Brasileira , Mano Menezes para a Copa América na Argentina ? Quais são as suas expectativas para seleção canarinho ? 

Só sinto falta do Marcelo. Essa ausência é inexplicável. Muita gente pediu o Hernanes no lugar do Elias. É trocar seis por meia dúzia. A temporada boa do Hernanes acabou em dezembro, depois ele oscilou, foi mal. Isso é um problema da imprensa. Muita gente fala muita coisa sem ter informação. Outro dia eu fiquei indignado no carro, voltando pra casa, ouvindo no carro uma rádio que eu adoro, que é a Bandeirantes, e um cara teimando que o André Dias do Cruzeiro era o ex-zagueiro do São Paulo. Pô, o cara é titular da Lazio, tava superbem. Basta uma passada de olho em algum site especializado para saber isso. E com internet, esse erro é imperdoável, é preguiça pura.

Voltando na tua pergunta, o restante da convocação eu achei justa ou, na pior das hipóteses, justificável. O Jadson eu acho justa e justificável. Justa porque tem jogado bola para estar lá e justificável porque o Mano fez uma convocação simples, com um titular e um reserva imediato para a mesma função. Então o 10 dele é o Ganso. O reserva é alguém com as mesmas características. Você tem, que fazem isso, o Jadson, o Diego, o Renato Augusto, o Douglas. Aí é Jadson sempre.

Mesmo no ataque. O Pato tá machucado. Ninguém sabe se estreia, se chega até o fim ou se joga. Aí ele vai botar o Damião, um moleque, para ser titular na Copa América e se queimar? Perder o guri pra Copa? Pega um cara mais pronto, que pode dar resultado imediato. Tecnicamente não é justo, mas é justificável.

 

                                                                                                                     Marcio Kaviski

                           

                                                                                                                                                                                                                                        Ronaldo

4 Copas; 2 Taças, mais um vice. Campeonatos Espanhol, Italiano e Holandês. 1 Copa do Brasil e 1 Campeonato Paulista. 67 gols pela Seleção Brasileira; mais de 400 gols em toda a carreira. 3 vezes eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA. 17 anos de futebol profissional. Duas lesões graves. Duas recuperações. Jogou por São Cristóvão, Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid, Milan, Corinthians, e pelo seu país, o Brasil. Algumas polêmicas. Poucas falhas. Muitas alegrias. Este é Ronaldo Nazário de Lima. 

Este sujeito faz parte da história do futebol. Sua qualidade para fazer boas jogadas e muitos gols é inegável. Podem até compará-lo com Pelé, Garrincha, Maradona, e ele pode perder nesses comparativos, mas são épocas diferentes, estilos diferentes. Além disso, nenhum dos três teve o carisma e o reconhecimento mundial que Ronaldo teve. O Fenômeno juntou o seu talento dentro de campo e a superação das lesões para transmitir uma boa imagem. Deu muito certo. Prova disso é que, se você chegar em um país pobre da África e perguntar para um jovem qualquer coisa sobre o Brasil, a palavra Ronaldo estará no meio da resposta. E tudo aconteceu de maneira tão intensa, especialmente depois da Copa de 2002, que Ronaldo acabou ensinando uma grande lição, a de que o futebol é jogado para os torcedores verem, muito mais do que por um nome na história. É o que diferencia Ronaldo de um Romário, por exemplo.

Dentro de campo, Ronaldo tinha velocidade, e conseguia boas arrancadas. Podia completar seus disparos para o ataque com dribles rápidos, e um chute a gol de fazer inveja, além do oportunismo dentro da área. Sempre que esteve em boa condição física jogava assim. Aquela arrancada pelo Barcelona e segundo gol na final de 2002 são prova disso. Mas o que impressionou mesmo foram as recuperações. Quando lesionou gravemente o joelho pela primeira vez, algumas pessoas cravaram o fim da sua carreira. Voltou a jogar depois do problemas apenas 1 mês antes da Copa do Japão e da Coreia. Foi o artilheiro e um dos craques daquela Copa.

Muitos dizem que, depois de 2002, Ronaldo não foi mais aquele encantador atleta. E não deixa de ser verdade. Aos poucos, no Real Madrid, a forma física do jogador foi ganhando mais massa muscular, o que poderia torná-lo um monstro na área adversária. Mas essa massa estava se tornando um problema, pois afetou sua velocidade em campo. Chegou á Copa de 2006 com algumas críticas, mas o clima pré- Copa daquele Brasil era tão confiante que qualquer desconfiança era minimizada. A Copa veio, a seleção decepcionou, e ali começava o pior momento de Ronaldo.

Agora, de fato, seu corpo tinha mudado. Estava acima do peso, em má fase na Espanha, e passando por um casamento tumultuado. Foi para o Milan, onde manteve a má fase e teve sua segunda lesão séria. Saiu do Milan e se perdeu psicologicamente. Ficou gordo de vez e se envolveu em escândalos com travestis e paternidades a assumir. Recuperou-se lentamente até chegar ao Corinthians. Ali teve um bom início, mas com o tempo o seu corpo já não respondia aos seus comandos. Era a hora do fim.

O jogo contra a Romênia foi apenas a página final da carreira do Fenômeno. Uma história que começou fantástica, se desenvolveu emocionante com toda sua luta para poder jogar. Os episódios ruins não são nada mais do que erros, e quem nunca errou é porque nunca nasceu. Ronaldo merece as homenagens e o reconhecimento como um dos maiores jogadores da história. Certamente é um dos quatro melhores do futebol brasileiro e um dos dez do futebol munidal. Se não acredita, procure por vídeos, fotos e histórias dele, Ronaldo Nazário de Lima, que acaba de dizer adeus á bola. E oi para as homenagens e lendas.

                                                                                                   PAULO HENRIQUE

            

                                                                                                                                                                                                                                                Brasil vence e Ronaldo se despede dos campos

O Brasil venceu a Romênia por 1 a 0. Fred marcou para o Brasil. O jogo marcou a despedida de Ronaldo dos gramados. Ele entrou aos 30 minutos do 1° tempo e saiu no intervalo. O Fenômeno recebeu a bola de jogo e cumprimentou a torcida, sendo reverenciado pelos jogadores em campo. emocionou na sua declaração. ”Muito obrigado por tudo que vocês fizeram por mim”, disse o pentacampeão e melhor do mundo três vezes.

O 1° tempo começou com o Brasil dominando o jogo. Logo aos 2 minutos, Jadson é derrubado dentro da área, mas o árbitro Sérgio Pezzota achou que foi fora. Neymar e Robinho criaram boas jogadas, e Jadson participou bem da armação do jogo. Até que, aos 21, Neymar cruza e Fred empurra para o gol. O Brasil seguiu controlando as ações. A Romênia criou pouco, e só chegou forte com um chute no travessão de Bourcean. Aos 30, o Fenômeno entrou no lugar de Fred, e teve três ótimas chances de marcar, mas parou no goleiro Tatarusanu. Ao fim do primeiro tempo, Ronaldo, carregando uma bandeira brasileira e acompanhado de seus filhos, deu a volta no Pacaembu.  ”Até breve ,mas dessa vez fora dos campos” concluiu o agora ex-jogador.

No 2° tempo, a seleção canarinho manteve o domínio da partida, com boas chegadas de Neymar e Nilmar, que deu mais dinamismo ao ataque. No entanto, a seleção se acomodou em campo, não avançando tanto ao ataque, e os romenos não aproveitaram isso. Assim, o jogo ficou ”morno”, e não houve mais nenhum grande lance até o fim da partida.

Com a vitória, o Brasil inicia sua preparação para a Copa América, em julho, na Argentina. A seleção estreará contra a Venezuela, dia 3 de julho, em La Plata. Já a Romênia vai á Assunção enfrentar o Paraguai, no sábado.

2000 – Uma
Odisseia no Palestra Itália

37 minutos do
primeiro tempo. Até aquele momento havia equilíbrio entre os dois times; uma
vitória para cada lado, o que levou a m terceiro jogo, para definir o campeão
da Copa Mercosul. O Vasco tinha um elenco melhor, e que dali a um mês seria
campeão novamente. Mas o Palmeiras tinha uma parceria de muitos anos com a
Parmalat, e que rendeu ao clube dois títulos brasileiros, uma Copa do Brasil e
uma Libertadores. O local da final daquela Copa Mercosul era o Palestra Itália,
casa palmeirense, e que estava lotada. A tendência era que o Palmeiras
impusesse seu jogo diante da torcida, o que demorou, como já foi dito, 37
minutos para acontecer. Ali, de pênalti, o ídolo paraguaio Arce marcou o gol.
Mas não deu tempo de comemorar. Por que? Um minuto depois, Magrão pegou um
rebote de cabeça: 2 a 0. Excelente vantagem, era só manter e, com o apoio de
sua apaixonada torcida, aquilo era bem possível. Mas os palestrinos não
seguraram o resultado…pois marcaram o terceiro! Tuta, artilheiro, brigador,
ampliou a vantagem aos 45 da etapa inaugural. Festa nas arquibancadas
alviverdes! Alegria, sem dúvida, afinal 3 a 0 só no primeiro tempo era demais,
avassalador. Ali podiam se encaixar vários ditados populares da bola: ‘’ Bola
pro mato que o jogo é de campeonato’’, ‘’ Esse time joga por música’’,  e até alguns versos do hino palmeirense: ‘’
Defesa que ninguém passa’’, ‘’ Quando surge o alviverde imponente…’’, enfim era
uma ótima vantagem de um ótimo time.

O segundo tempo
começou com essa aura gloriosa sobre o Palmeiras. Até que aos 14, Romário
diminuiu para os vascaínos. Mas não se preocupem, ainda havia uma grande
vantagem. O Vasco vai entrar em desespero, vai abrir espaços e o Palmeiras pode
aproveitá-los. Imaginem se Júnior Baiano fosse expulso, como acontecia com ele
frequentemente…peraí, ele foi expulso! Segundo amarelo e depois o vermelho.
Agora sim, ninguém tira essa do Porco!

Mas surgiu uma
pulga atrás da orelha palestrina aos 24 minutos. O árbitro marcou um pênalti
até certo ponto polêmico para o Vasco. Romário bateu e diminiuiu a até então
grande vitória vascaína.

– Não falem besteira, não vão empatar. Ainda estamos
ganhando – disse um palmeirense comum.

–  Será? Vamos aí
então…Bora, Vascão! – falou um vascaíno comum.

Foram dezesseis
minutos de agonia para os dois torcedores. Será que o Vasco empata? Será que o
Palmeiras se segura? Pressão carioca. O Palmeiras tentava se segurar, mas algo
sobrenatural parecia levar aquele time cruzmaltino para frente. O Palmeiras
rezava para o tempo passar rápido. Não passou, chegou lento até os 41 minutos,
quando saiu um gol.

Juninho Paulista
entrou na área e fez o terceiro gol do Vasco da Gama. Inacreditável. A
incredulidade tomou conta dos dois lados. Como era possível uma vitória larga
virar um empate?  E de que maneira uma
derrota humilhante podia resultar numa possível disputa de pênaltis. Mas
faltavam ainda sete minutos, considerando os acréscimos, para aquela partida
acabar. A diferença entre os rivais agora era que a incredulidade era um
combustível para o Vasco, mas um anestésico para o Palmeiras. Times e torcidas
estavam em sintonia  agora. Era tudo ou
nada. E faltando um minuto, 60 segundos para saber se haveriam penalidades ou
não, a resposta veio. E veio em um rebote dentro da pequena área. Pequena área,
pequeno jogador.

Romário marcou o
quarto gol do Vasco. Final da Copa Mercosul de 2000: Palmeiras 3 x 4 Vasco.
Club de Regatas Vasco da Gama campeão. Inacreditável. Milagre. Virada histórica.
Vexame verde. Absurdo. Chame do que quiser, todos os adjetivos acima são
válidos, e quem assistiu aquele jogo, seja vascaíno ou palmeirense, estivesse
no estádio ou não, ouvisse pelo rádio ou assistisse pela televisão, não
importa, quem acompanhou aquela noite quente de dezembro não se esquece daquele
jogo.

Muita coisa mudou
depois daquela noite. O Vasco foi campeão da Copa João Havelange um mês depois,
mas entrou em decadência, chegando até a jogar a segunda divisão nove anos
depois. Para o Palmeiras, o inferno veio mais cedo: caiu para a série B em
2002. Isso talvez explique o fato de esse jogo ser tão inesquecível para os
dois torcedores: foi o último grande espetáculo protagonizado pelos dois
clubes. Uma decisão. Uma virada. Um campeão e um vice. Pena que só em
reportagens esporádicas e vídeos na internet conseguimos ver um jogo desses.

Vasco: Hélton, Clébson, Odvan, Júnior Baiano, Jorginho
Paulista, Nasa (Viola), Jorginho (Paulo Miranda), Juninho, Juninho Paulista,
Euller (Mauro Galvão), Romário.

Técnico: Joel Santana.

Palmeiras: Sérgio, Arce, Galeano, Gilmar, Tiago Silva, Fernando, Magrão,
Flávio, Taddei, Juninho, Tuta (Basilio).

Técnico: Marco Aurélio.

Gols: Arce (Palmeiras 37/1ºT), Magrão (Palmeiras 38/1ºT), Tuta (Palmeiras
45/1ºT), Romário (Vasco 14/2ºT), Romário (Vasco 24/2ºT), Juninho Paulista
(Vasco 41/2ºT), Romário (Vasco 48/2ºT).

Expulsão: Júnior Baiano.

Árbitro: Márcio Rezende De Freitas.

Estádio: Palestra Itália (Parque Antarctica), São Paulo (SP).

Data: 20/12/2000.

Público: 29.993.

Paulo Semicek – 03/07/2011

FICHA TÉCNICA:

Brasil : Victor; Maicon, Lúcio (Luizão), David Luiz, André Santos; Sandro (Lucas Leiva), Elias, Jadson; Robinho (Lucas), Neymar (Thiago Neves) e Fred (Ronaldo) (Nilmar) Téc: Mano Menezes.

Romênia: Tatarusanu (Pantilimon); Rapa, Gardos, Papp, Latovlevici; Torje, Muresan (Alexa), Sanmartean ( Alexe), Marica, Surdu (Tanase), Bourcean (Giurgiu). Téc: Stephen Jovan

Árbitro ; Sérgio Pezzota (ARG)  Assistentes:  Hernán Maidana (ARG) e Ariel Bustos (ARG)

Gols:  Fred (21 do 1°tempo),

Cartões:  Muresan (Amarelo/Romênia)

Público: 30.059

Renda: R$ 4.357.705,00

Paulo Semicek

               

                                                                                                                                                                                                                                                    “Faltou Intensidade ”  

As palavras do técnico Mano Menezes ,no intervalo do primeiro tempo,definiram muito bem o jogo amistoso entre Brasil e Holanda  realizado na tarde desse sábado(4) na capital do estado de Goiás.

No 1º tempo. 

A seleção canarinho que entrou em campo com apenas três jogadores no meio de campo – Lucas Leiva,Ramires e Elano – e com Robinho voltando para armar as jogadas ,não se encontrou.A melhor chance foi aos 11 minutos quando Ramires marcou um gol mal anulado pelo assistente.

A Holanda jogando no erro do time brasileiro teve as melhores chances durante o primeiro tempo.Aos 20 minutos,a laranja encaixou um contra-ataque rápido pela ponta com Afellay que obrigou Júlio César a fazer a defesa mais complicada do jogo.Oito minutos mais tarde o holandês obrigou Júlio César a trabalhar mais uma vez.

Em resumo,no primeiro tempo o Brasil tocou passes e teve dificuldades para chegar ao ataque.Muito pelas presenças de Fred – que se movimentou muito mal – e Elano – que tinha dificuldades em armar as jogadas. Enquanto isso, a Holanda aproveitava o espaço que tinha pela direita com Afellay e armava perigosos contra-ataques.

No 2º tempo.

Sem modificações , teoricamente, tudo seguiria seu percurso.Porém,a seleção canarinho mostrou o contrário.Com quarenta e cinco segundos de jogo, Elano colocou Neymar na cara do goleiro Kurl que fez sua defesa mais difícil no jogo.Com maior apoio de Elano no ataque e a maior movimentação de Neymar a seleção chegou ao gol holandês em nove oportunidades em menos de quinze minutos.

Logo o sonho acabou,quando Mano sacou Elano para entrada de Lucas e Fred para a entrada de Leandro Damião o ritmo logo caiu.Além desses : Sandro,Elias e Adriano entraram no lugar de Lucas Leiva,Robinho – que se movimentou bem ao lado de Neymar – e André Santos.

Aos 33 minutos o volante Ramires foi expulso após cometer falta no jogador Roben.Com um jogador a menos a seleção parou em campo e teve sua última chance com um chute de Sandro aos 38 minutos.

Ao final do jogo os brasileiros foram vaiados justamente pela torcida que estava presente no Serra Dourada e pegou uma fortuna para , no mínimo , assistir espetáculo da seleção da CBF.

Como o próprio técnico da seleção falou no intervalo do primeiro para o segundo tempo : “faltou intensidade”, faltou jogo e principalmente,faltou futebol.

                                                                                     MARCIO MORRISON KAVISKI MARCELLINO

  1. Adorei as suas entrevistas. As perguntas sao bem pertinentes e exigem respostas com conteudo. Parabens.

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